FHC cobra providências dos ricos para conter a crise
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quinta-feira, 10 de setembro de 1998
Agência Estado 
A queda vertiginosa nas duas bolsas brasileiras de valores obrigou ontem o presidente Fernando Henrique Cardoso a fazer novo apelo aos líderes mundiais para pôr um paradeiro a essa especulação desenfreada. Segundo o presidente, o mercado é instrumento de desenvolvimento econômico, e não pode se transformar num instrumento de dilapidação da riqueza pública.
Fernando Henrique advertiu as instituições financeiras para estar atentas e evitar contágios desnecessários entre os diferentes mercados financeiros. Ele pediu ainda que o Fundo Monetário Internacional (FMI) explique ao mundo que as coisas aqui no Brasil estão bem.
Falando pausadamente e com a inflexão de voz tensa, o presidente cobrou dos líderes mundiais medidas claras em relação ao FMI e avisou que o Brasil nunca teve ou pediu apoio direto do fundo. Mas nós queremos que ele (FMI) explique ao mundo que as coisas aqui estão bem, que os chamados fundamentos da economia estão funcionando, disse o presidente.
Fernando Henrique observou que o sub-diretor-geral do fundo, Stanley Fisher, já transmitiu a uma agência internacional sua confiança no Brasil e nas últimas medidas adotadas. Não é possível que, por causa de decisões precipitadas ou análises superficiais sobre o efeito dessas medidas, que foram duríssimas, se comece a fazer uma nova onda de especulação, queixou-se o presidente.
Para FHC, há momentos em que os países devem se sobrepor ao jogo do mercado financeiro. Não podemos entrar num jogo em que o mercado impõe e dispõe, afirmou. Há momentos em que o país é quem tem que impor e dispor, e não é o Brasil, são todos os países.
Por volta de 11 horas, quando as duas bolsas de valores estavam fechadas temporariamente, a assessoria de imprensa do Planalto comunicou aos jornalistas credenciados que eles teriam acesso a uma cerimônia no Palácio da Alvorada. A permissão foi dada de última hora. Na noite anterior, um comunicado avisava que apenas fotógrafos e cinegrafistas teriam acesso à cerimônia, em que seria condecorado o ex-presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), João Havelange.
Depois dos discursos, às 13h15, Fernando Henrique atendeu ao chamado dos jornalistas e falou sobre a crise. É preciso ultrapassar esses limites de mercado e conversar com os líderes mundiais, afirmou o presidente.
Eles têm que perceber que estamos nos aproximando de uma situação no mundo - repito, não é no Brasil, é no mundo -, que requer mais energia, que requer decisões mais firmes por parte daqueles que têm a liderança, que estão representados basicamente no G-7 (grupo dos países mais ricos), sobre tudo nos Estados Unidos.
Além de citar as declarações de Stanley Fisher favoráveis ao Brasil, o presidente lembrou que também o ministro da Fazenda da França expressou sua confiança na economia do País. O Stanley Fisher mandou uma comunicação, hoje (...) reafirmando que tem confiança no Brasil e nas medidas tomadas, que ele conhece em detalhes e sabe avaliar o significado delas, comentou. Eu acho que é preciso, agora, manter, com tranquilidade, o rumo; não perder o rumo.Ed Ferreira/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)CerimôniaFHC e o ministro Paulo Renato observam João Havelange: especulação desenfreadaE pede para que o FMI diga que as coisas aqui no Brasil estão indo bem


