Fortaleza - O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu ontem a ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) para socorrer a Argentina, em meio à crise econômica que o país atravessa. Ao discursar na abertura da reunião anual do BID, ele criticou o FMI, por atender diferentemente, de forma pior, os países latino-americanos em comparação aos europeus. Fernando Henrique disse que governo já questionou procedimentos da instituição financeira, mas, pelo tipo de resposta que recebeu, acha que foi tratado ‘‘como se alguns de nós fôssemos analfabetos’’.
‘‘Entendo e até já expressei isso, em público e privadamente, que, num primeiro momento, antes que a Argentina desse sinais mais claros de que tinha encontrado um caminho, que as instituições financeiras internacionais se mostrassem céticas’’, discursou o presidente, diante de uma platéia com toda a direção do BID. ‘‘Mas, vê-se agora, nas últimas semanas, um empenho enorme do governo e do povo daquele país para buscar um caminho.’’
De acordo com Fernando Henrique, o FMI não pode exigir mais garantias do que a Argentina é capaz de dar, sob pena de levar o governo do país vizinho a mentir - se essa for a única forma de obter ajuda. ‘‘É claro que não se pode exigir, em certas circunstâncias, mais do que uma resposta que seja uma mentira. E, se se exigir mais, sem que haja condições para esse mais, e se for indispensável para o país, que carta de entendimento entre esse país e o Fundo Monetário, se não uma carta falsa?’’, provocou FHC.

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