José Paulo Lacerda/Agência Estado
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ConfianteFHC faz sinal de positivo no desembarque na Suíça: ‘‘Câmbio não muda nem no próximo mandato’’A chegada do presidente Fernando Henrique Cardoso ontem, à Suiça, coincidiu com o agravamento da crise financeira asiática e a possibilidade de atraso, no Brasil, das reformas estruturais e do processo de privatização. Mesmo assim, foi um Fernando Henrique otimista que desembarcou em Zurique , disposto a iniciar uma maratona de quatro dias de encontros com as principais lideranças políticas, econômicas, empresariais e financeiras do mundo, com objetivo de atrair novos investimentos para o País. Pelas suas previsões, os altos juros brasileiros continuarão caindo gradualmente e a política cambial será mantida neste e no próximo mandato presidencial.
Numa rápida entrevista, poucas horas depois de sua chegada, Fernando Henrique garantiu que a reforma administrativa será votada em plenário no dia 11 de fevereiro - conforme previsto - apesar de o Senado ter decidido, anteontem, retirar o artigo do projeto que garantia aposentadorias especiais para os juízes. Segundo ele, essa ação não implica necessariamente no retorno do projeto para a Câmara. E, mesmo que o texto precise ser revisto pelos deputados, o presidente está certo que as reformas administrativa e da Previdência serão aprovadas, durante a convocação extraordinária do Congresso, que acaba no dia 15.
Fernando Henrique tampouco acredita que manobras da oposição, em ano de eleição presidencial, adie a privatização do Banespa, prevista para 1998, conforme previu o presidente do Banco Central, Gustavo Franco. Ao mesmo tempo em que aposta na continuidade das reformas no Brasil, o presidente aposta na estabilidade do real - mesmo que a crise financeira asiática tenha se agravado com o anúncio, do governo da Indonésia, de que suspenderia por dois anos o pagamento de seu débito externo.
Os principais trechos da entrevista:
Indonésia - Fernando Henrique disse que a decisão da Indonésia de suspender, por dois anos o pagamento de seus débitos não deve ressucitar o fantasma da dívida externa, que pairou sobre os países em desenvolvimento na ‘‘década perdida’’ dos 80. ‘‘Nos anos 80 o mundo não dispunha dos mecanismos que dispõe hoje’’, explicou. Ele também minimizou os efeitos desse anúncio sobre a economia de outros países. ‘‘A Indonésia não fez propriamente uma moratória. Foi uma coisa combinada. Não foi unilateral. Já se esperava que isso acontecesse, tanto é assim que a reação foi positiva e o valor da moeda da Indonésia subiu depois desse acordo.
Câmbio Respondendo à pergunta sobre a manutenção do sistema cambial, ele disse: ‘‘Quem mexe no câmbio não sou eu, mas não há necessidade de mexer nele’’. Quando se perguntou se essa política seria mantida neste e no próximo mandato presidencial, ele respondeu: ‘‘Nem neste, nem no próximo’’.
Reforma administrativa Fernando Henrique, que conversou com o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) antes de embarcar para Zurique, disse que a decisão dos senadores de retirar do projeto de reforma, aprovado pela Câmara, o artigo concedendo aposentadorias especiais aos juízes significa que ‘‘simplesmente rechaçaram uma parte que já tinham rechaçado anteriormente’’. Ele comentou o debate no Congresso, sobre a necessidade ou não de submeter o texto novamente à Câmara (alguns deputados dizem que precisam revê-lo, porque foi alterado, enquanto que o Senado discorda alegando ter apenas removido uma parte, sem modificar o conteúdo). Segundo ele, o projeto não precisará ser revisto pela Câmara: ‘‘As informações que tenho é que existe um precedente neste sentido, se não me falha a memória, na presidência de (José) Sarney’’. Mesmo que isso não aconteça, ele acha que a reforma será aprovada no dia 11 de fevereiro.
Davos Sobre sua visita oficial à Suíça e participação no World Economic Forum de Davos (o maior fórum econômico mundial) o presidente disse que repetirá seu recado de que ‘‘o Brasil mostrou uma capacidade de resposta (à crise financeira asiática) e que é um país que tem rumo’’. Mas ele ressaltou que, além de falar, quer também ouvir ‘‘o que estão pensando esses dirigentes da economia mundial e da política, sobre o novo milênio’’ e ‘‘o que vamos fazer para assegurar um desenvolvimento que seja mais duradouro e que traga benefícios para a populção, como mais emprego’’.

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