O presidente Fernando Henrique Cardoso menosprezou as previsões pessimistas de dois importantes economistas, de que a América Latina seria atingida por uma segunda onda da crise financeira asiática e que o Brasil e a Argentina eram as economias mais vulneráveis. ‘‘Sempre existem palpiteiros que, sem muitas informações, opinam’’, disse ontem em Davos, na Suíça, ao lembrar que, até recentemente, o desempenho dos Tigres da Ásia era considerado um exemplo e ninguém apostava no atual cenário.
Segundo Fernando Henrique, tanto no caso do Sudeste Asiático, há um ano, quanto no do Brasil, agora, os analistas cometeram o pecado de se basear em informações ‘‘de gente que não vive nos países’’. E, por essa mesma razão, ‘‘não se deve dar demasiada atenção a palpiteiros’’. Apesar de não mencionar seus nomes, FHC se referia ao estrategista chefe do Deutsche Bank da Ásia, Kenneth Courtis, e o professor do Instituto de Tecnologia de Massachussetts, Rudiger Dornbusch.
Anteontem, em palestras e entrevistas no World Economic Forum de Davos (o maior forum mundial de economia) Courtis e Dornbusch descreveram um futuro negro para o Brasil. Segundo Courtis, as exportações brasileiras seriam prejudicadas, porque muitos produtos competem com os asiáticos, cujos preços foram reduzidos em um terço, graças à desvalorização de suas moedas. E que, depois de seis meses de falsa calmaria, haveria um recrudescimento da crise asiática, que contagiaria principalmente a América Latina.

mockup