FHC busca saída para evitar correção do IR
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sábado, 15 de dezembro de 2001
Agência Estado<br>De Brasília 
O governo Fernando Henrique Cardoso procura uma contra-proposta para apresentar aos senadores e tentar barrar a votação do projeto de lei que corrige a tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IR) no Senado. É intenção dos senadores aprovar a matéria na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) na próxima terça-feira e no plenário da Casa na quarta-feira, a exemplo do que já fizeram os deputados.
''Muita conversa acontecerá antes da votação'', disse ontem um assessor palaciano. O problema é que o Planalto não tem nada novo para oferecer aos senadores em troca da correção da tabela em 17,5%.
Quando o projeto estava em apreciação na Câmara, o governo chegou a apresentar duas alternativas, mas os deputados não gostaram. Agora, os articuladores políticos precisariam de uma terceira alternativa para tentar negociar com os senadores. Ela, porém, ainda não existe. Se a Receita está trabalhando numa nova proposta, é total mistério. ''Não falaremos sobre esse assunto nem sob tortura'', afirmou um técnico da área.
''Vejo o governo muito perdido nesse processo'', disse o senador Paulo Hartung (PSB-ES), autor do projeto original de correção da tabela. ''Eles acenaram com a possibilidade de vetar o projeto de lei e depois viram que seria um confronto muito forte com o Legislativo, principalmente depois da postura firme do presidente do Senado.''
Há dois anos, Hartung apresentou o projeto de lei que agora está prestes a ser aprovado no Senado. Sua estratégia era propor um reajuste alto, 28,4% na época, para negociar. ''Mas, durante toda a tramitação da matéria, o governo não quis conversa'', disse. ''Eles acharam que poderiam empurrar com a barriga, deixar o problema para o próximo presidente.'' Na avaliação do senador, o Executivo ''exagerou na postura de portador exclusivo do interesse público''.
Sem nada mais concreto à vista, o secretário-geral da Presidência, Arthur Virgílio, trabalha com duas hipóteses: ou o presidente Fernando Henrique Cardoso sanciona o reajuste da tabela e promovem-se cortes no Orçamento de 2002, ou ele veta a correção, editando imediatamente uma Medida Provisória (MP) contendo alguma redução de carga tributária para o contribuinte.


