FHC busca novos investimentos na Suíça
Roberto Castro/Agência Estado
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FHC com o embaixador Felipe Lampreia e o ministro Clóvis Carvalho: viagem para vender o BrasilEm meio a uma série de crises financeiras e políticas, que atingiram em cheio as promissoras economias asiáticas, repercutiram nas principais bolsas do mundo e colocaram em cheque os governos dos Estados Unidos e do Japão, o presidente Fernando Henrique desembarca hoje na Suíça com o objetivo de atrair novos investimentos para o Brasil.
Durante quatro dias ele se reunirá com centenas de empresários, banqueiros e investidores suíços e do resto do mundo, como o megaespeculador George Soros e o presidente da British Petroleum e Goldman Sachs, Peter Sutherland, que também já foi presidente do GATT (antecessor da atual Organização Mundial do Comércio, OMC). Hoje e amanhã Fernando Henrique realizará uma visita oficial à Suíça. E na sexta-feira viaja para Davos - uma pequena cidade encravada nos Alpes, sede do World Economic Forum, o maior fórum econômico mundial.
A missão de Fernando Henrique, de vender a imagem de um Brasil estável e aberto a novas oportunidades de negócios, no momento em que reina um clima de incerteza no mundo (agravado pela ameaça de demissão, ontem, do ministro da fazenda japonês, e pelo escândalo sexual que ameaça a carreira do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton) coincidirá com dois eventos. Esta foi a semana escolhida pela rede americana de televisão CNN para apresentar uma série de reportagens sobre o País, batizada de O Despertar de Um Gigante.
E este ano, o primeiro no qual um presidente do Brasil decide participar do World Economic Forum, que vem sendo realizado anualmente em Davos há quase três décadas, os organizadores do evento programaram uma palestra especial, na qual Fernando Henrique falará sobre os desafios da Construção de um Gigante Continental. Para um público seleto, de dois mil chefes de Estado e de governo, ministros, homens de negócios, e representantes de organizações internacionais, ele repetirá os sucessos do Plano Real e as vantagens de participar no processo de privatizações de uma mercado das dimensões do brasileiro.
Ele fará o mesmo discurso que fez para empresários e banqueiros em Londres, em dezembro passado, e que surtiram um efeito imediato no mercado financeiro quando a crise asiática atingiu seu auge e o Brasil se viu obrigado a adotar um pacote de medidas para proteger o real, disse um diplomata brasileiro. Aliás, antes de vender a estabilidade brasileira em Davos, Fernando Henrique ensaiará a fórmula hoje à noite, em Zurique - principal sede dos bancos suíços.
Sua visita oficial à Suíça (a primeira de um presidente do Brasil) começará com um jantar com uma centena de empresários e banqueiros suíços. O encontro foi acertado em outubro durante uma visita a Brasília de Andres Leueberger, vice-presidente da Bayer e presidente da Vorort, a equivalente suíça da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) brasileira, que inclui também instituições financeiras.
Os suiços são conhecidos por sua cautela e seu conservadorismo e, por isso mesmo, não se espera que sejam fechados negócios neste jantar, explicou um diplomata brasileiro. Mas justamente por transmitirem essa imagem de segurança, os bancos da Suíça são importantes formadores da opinião pública mundial e podem contribuir para gerar um clima de confiança entre os futuros investidores no Brasil, acrescentou.
Segundo um economista da Union des Banques Suisses (UBS), apesar do clima de incerteza que gerou, a crise financeira da Ásia está obrigando os investidores mais conservadores a buscarem novos mercados emergentes. Até a Suíça foi afetada, porque nosso país, apesar de rico, tem uma população pequena e depende de exportações, disse ele.
Além de participar de uma mesa redonda com o megaespeculador George Soros, em busca de soluções para problemas que a economia de mercado não resolveu (como o crescente desemprego e a falência dos sistemas de previdência social) Fernando Henrique aproveitará sua passagem por Davos para encontros bilaterais. Um deles será um jantar com Peter Sutherland, que além de sua experiência em comércio exterior, é presidente de uma importante empresa de petróleo e um dos principais consultores para investidores internacionais.





