FHC avisa: redução drástica
só vai ocorrer a médio prazo
O presidente Fernando Henrique Cardoso avisou ontem que não se deve esperar reduções drásticas nas taxas de juros, de imediato, com as medidas anunciadas pelo governo. Segundo o presidente, as medidas poderão ser sentidas, efetivamente, a médio e longo prazos, assim como, somente com tempo, será possível reduzir o desemprego e resolver os problemas fundamentais do Brasil. ‘‘Nunca fui camelô de ilusões’’, desabafou o presidente ao lembrar que não há milagres para combater o desemprego e que vai continuar perseguindo o superávit fiscal.
‘‘O equilíbrio fiscal é a nossa bússola’’, disse o presidente, depois de justificar que não está tomando nenhuma medida arriscada em termos de equilíbrio fiscal. Segundo o presidente, só foi possível reduzir drasticamente o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), porque este ano houve um esforço de arrecadação muito elevado.
Fernando Henrique revelou que enfrentou ‘‘momentos tormentosos’’ esse ano e que, apesar das dificuldades, o Brasil vai crescer 4% no ano que vem. De acordo com o presidente, para enfrentar as dificuldades que havia anunciado em setembro do ano passado, quando ainda estava em campanha, o governo adotou, em primeiro lugar, as medidas macroeconômicas. Agora, comentou, o governo está pensando no ano 2000 e está sendo possível seguir adiante em um caminho de estabilidade e desenvolvimento, com o anúncio de medidas microeconômicas, que vão beneficiar o cidadão e melhorar o dia-a-dia das pessoas. Antes, fez questão de recordar ‘‘o quão foi difícil segurar o leme’’ (na condução do processo econômico) desde setembro do ano passado, até muito recentemente.
‘‘Fui sempre sincero com o País’, declarou o presidente, que não poupou críticas aos que pregam ‘‘a descrença’’ e insistem em não o compreender as medidas que estão sendo adotadas pelo governo, inclusive no combate ao desemprego. ‘‘Não adianta cobrar de mim a redução do desemprego, como se isso fosse vontade política’’, afirmou.
O presidente garantiu que está lutando ‘‘com muita incompreensão, com a oposição desnecessária a medidas que são para o bem do Brasil’’. O discurso otimista do presidente foi feito para uma platéia que reunia ministros, técnicos do governo e pouquíssimos parlamentares. Os banqueiros e os empresários, que eram esperados, não apareceram, embora boa parte do discurso se destinasse a eles.

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