FHC assina na Bolívia acordo para comprar mais gás natural
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terça-feira, 26 de junho de 2001
Agência EstadoDe La Paz 
Fernando Henrique Cardoso e Hugo Banzer, presidente boliviano, no primeiro dia do encontro: acordo amarrado
Os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Hugo Banzer, da Bolívia, assinam hoje, em Tarija, documento que possibilitará o aumento das importações brasileiras de gás boliviano em 10 milhões de metros cúbicos diários. O texto também permitirá a antecipação da cota máxima de compra, de 30 milhões de metros cúbicos diários, até o final de 2003. O acordo anterior previa a transferência desse volume somente depois de 2007.
Atualmente, a importação é de apenas 8 milhões de metros cúbicos diários. A elevação da cota tem o objetivo de garantir o fornecimento de gás natural para as usinas termelétricas previstas no plano de aumento de oferta de energia elétrica até o final de 2003, que será anunciado por Fernando Henrique nesta sexta-feira, em Brasília.
Segundo o embaixador do Brasil na Bolívia, Stélio Amarante, o documento, chamado de declaração de Tarija (região onde estão as jazidas de gás da Petrobras na Bolívia), poderá prever ainda outros projetos de investimentos brasileiros naquele país. Bolívia e Brasil deverão construir juntos uma petroquímica na fronteira e ainda termelétricas destinadas a integrar o sistema energético brasileiro.
Amarante informou que o projeto de elevação das importações do gás boliviano dependerá da construção de um gasoduto entre Tarija e Santa Cruz de La Sierra. Trata-se de uma decisão exclusiva da Bolívia, afirmou. Em princípio, a Petrobras e seus dois sócios nas reservas de Tarija a francesa Totalfina-Elf e a hispano-boliviana Andina poderiam levar adiante o projeto de construção de um gasoduto, cujo orçamento é estimado em US$ 300 milhões.
Segundo o embaixador, a maior dificuldade está na aprovação pelas entidades oficiais de meio ambiente. Outro projeto poderá ser implementado pela Transrede, o consórcio que construiu e administra o gasoduto Brasil-Bolívia em território boliviano e que é formado pela Shell e pela americana Enron. A Petrobras poderá integrar esse projeto porque negocia a compra da parcela da Enron na Transrede. De acordo com Amarante, a Petrobras quer tocar a construção do gasoduto para reduzir o preço do gás natural que levará ao Brasil e para efetivar a elevação da importação.
O texto da declaração de Tarija deverá mencionar a construção de um polo petroquímico na divisa entre Brasil e Bolívia, que terá o gás natural como principal insumo. O projeto requer investimento de US$ 1,5 bilhão e terá o objetivo de garantir o suprimento futuro do mercado brasileiro. Os três pólos existentes no Brasil na Bahia, em São Paulo e no Rio Grande do Sul tenderão a esgotar sua capacidade instalada em cinco anos.


