O presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) inaugurou ontem a fábrica da montadora Volkswagen/Audi, com um discurso firme e direcionado aos empresários e setores da sociedade que pretendem ‘‘se aproveitar da desvalorização da moeda para aumentar preços’’. ‘‘Não vamos deixar que haja carestia neste País. Tenho experiência disso. Fui ministro da Fazenda quando a inflação crescia aos milhares por ano e nós a controlamos’’, afirmou, ao ressaltar que agora será ‘‘muito mais fácil’’ impedir o retorno do processo inflacionário.
O pronunciamento de FHC esteve em sintonia com o discurso feito momentos antes pelo governador Jaime Lerner (PFL), que também criticou aqueles que pretendem aumentar preços. ‘‘Deve receber apoio integral a posição do governo federal de não permitir que setores, que se beneficiam do novo quadro, imponham custos ao País e à população’’, afirmou o governador, ao ser aplaudido pelo público e por FHC.
O presidente da República citou o economista Edmar Bacha para definir o momento pelo qual passa o Plano Real. ‘‘Podemos estar marcando o ressurgimento do Real. Tomara que as dificuldades que estamos passando nos permitam abrir novos espaços para o desenvolvimento econômico, gerando mais empregos’’, afirmou. Ele enfatizou que ‘‘em momento algum’’ será permitido que setores da economia comprometam a estabilidade monetária.
O presidente disse que o poder de compra dos salários será a ‘‘menina dos olhos’’ da política econômica do governo. E que todas as decisões tomadas pela equipe econômica vão definir os rumos do País daqui para a frente. ‘‘Se antes se olhava para o câmbio, há que se olhar, agora, para a verificação dos ajustes necessários’’, afirmou FHC.
Com as votações do ajuste fiscal em andamento no Congresso, o presidente cobrou vontade política por parte de deputados e senadores. ‘‘Não há mais desculpa. Não adianta olhar para fora. Agora é aqui. Agora é o Congresso Nacional. Agora é o governo federal. Agora são os governadores e a nossa competência’’, afirmou FHC. O presidente pediu ainda austeridade para todos os setores políticos do País, dizendo que é necessário controle rigoroso da situação e das finanças.
Ele disse ainda que somente com o ajuste fiscal o País poderá se livrar da alta taxa de juros. ‘‘Os juros não serão menores se nós não conseguirmos ajustar nossas contas’’, declarou. Ele disse estar convicto de que a crise vai passar em breve.
Ao mesmo tempo em que cobrou firmeza dos governantes para que o País passe o mais rápido possível por um dos momentos mais difíceis de sua economia, Fernando Henrique Cardoso elogiou iniciativas de investimento industrial como o da Volkswagen/Audi. Ele enfatizou o modelo produtivo da montadora, que utiliza técnicas que preservam o meio ambiente. FHC aprovou ainda a descentralização dos investimentos industriais no País, que se mantinham apenas em São Paulo. ‘‘Sendo de São Paulo, eu me alegro em ver a indústria se espalhando pelo Brasil’’, disse FHC. A atração das montadoras para o Paraná gerou polêmica entre os outros Estados interessados, que culparam o governo paranaense pela política da guerra fiscal.

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