FHC apóia Argentina, mas não aceita redução de tarifa
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quinta-feira, 26 de outubro de 2000
Clóvis Rossi Enviado a Madri 
O presidente Fernando Henrique Cardoso promoveu ontem todo um show de solidariedade com seu colega argentino Fernando de la Rúa, mas, ao mesmo tempo, traçou um limite claro para o apoio: nada de aceitar a parte do pacote argentino de segunda-feira que propõe reduzir a tarifa de importação do Mercosul três pontos percentuais por ano. Não podemos aceitar condições que possam dificultar o desenvolvimento industrial do Brasil, disse o presidente aos jornalistas.
Ao próprio De la Rúa, durante encontro de quase uma hora ontem pela manhã, avisou que era complicado concordar com a redução da TEC (a Tarifa Externa Comum, cobrada pelos países do Mercosul para exportações provenientes de países não-membros do bloco). Por que é complicado? A explicação é do chanceler Luiz Felipe Lampreia. Porque o setor industrial brasileiro não teria condições de enfrentar a concorrência de importados a preços mais baixos (pela redução da tarifa) enquanto prevalecerem os fatores que inibem a sua competitividade.
A Argentina quer que, a partir de 1º de janeiro, a TEC máxima seja reduzida em três pontos percentuais por ano e que as tarifas de importação de bens de capital, produtos de informática e telecomunicações caiam para um máximo de 10%. Não se trata de abrir uma nova frente de crise com a Argentina. Mas, como diz Lampreia, o Brasil representa 70% do Mercosul e tem o direito de dizer o que lhe convém ou não.
Por isso mesmo, foi possível a FHC e De la Rúa promoverem um espetáculo de unidade ontem pela manhã, na residência do embaixador argentino em Madri. Não faltou nem mesmo a bandeira branca com estrelas azuis do Mercosul. No mais, os dois presidentes saíram para o jardim da residência e enfrentaram os jornalistas com um discurso carregado de elogios ao Mercosul, à cooperação entre os dois países e à atuação de cada um deles na chefia dos respectivos governos.
Os dois presidentes solicitaram à União Européia a aceleração das negociações com o Mercosul para a criação do livre comércio antes de 2005. Eles estimam que seria proveitoso conseguir este pacto antes da criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), projetada para 2005, incluindo 34 países das Américas e do Caribe, desde o Canadá até o Chile, com exceção de Cuba.


