O presidente Fernando Henrique Cardoso fez ontem um apelo aos bancos para que baixem as taxas de juros. ‘‘Eu faço um apelo, de que é preciso baixar os juros. Todos os brasileiros estão preocupados com o setor produtivo, sobretudo com as pequenas e médias empresas, que não podem pegar recursos lá fora e são, portanto, as que pagam as taxas mais elevadas’’, disse ele em São Luís, onde esteve por uma hora e meia para prestigiar a governadora Roseana Sarney (PFL), que retornava ao estado após uma ausência de dois meses.
O presidente disse que a toda hora é cobrado a respeito da queda das taxas de juros, e que o governo já está fazendo a sua parte. ‘‘A linha do governo está clara: os juros têm que baixar e estão baixando.’’ Segundo Fernando Henrique, o governo está baixando as taxas do interbancário e disse que os bancos brasileiros ‘‘estão se acostumando agora a ter cálculo de risco’’ e se readaptando para que possam, também, baixar as taxas.
Nas áreas relacionadas diretamente com o governo, como a agricultura, ‘‘os juros são de 8,75% ao ano e mais nada’’, observou o presidente. ‘‘São os mais baixos das últimas décadas’’, afirmou. Segundo ele, o pequeno produtor só paga 4,75%. ‘‘Mas o mais importante é que os bancos têm que baixar as taxas, também. Isso não é o governo’’, ressaltou.
Ele disse que os juros já começam a cair também no setor privado. ‘‘Nós já sentimos um começo de modificação no crediário’’, afirmou. Ainda assim, ele defendeu maior pressão sobre o mercado financeiro, para que baixe ainda mais as taxas.
Fernando Henrique comentou também sobre a participação de grupos estrangeiros nas telefônicas privatizadas. ‘‘Pessoalmente, gostaria muito que mais empresas nacionais tivessem ganho’’, disse ele, mas ponderou que não pode interferir. Sejam empresas com controle de estrangeiros ou brasileiros, observou, ‘‘elas têm metas a atingir, têm de responder pelo interesse público, fazer telefone numa certa proporção, ter controle de tarifas e atender aos objetivos nacionais’’.
Para o presidente, ‘‘o capital pode ser nacional ou não; os objetivos é que são nacionais’’, e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ‘‘tem de zelar por esse objetivo’’. Ele lembrou que em outros países ocorre algo semelhante. ‘‘Se for olhar a composição acionária da Telefónica de Espa¤a, não sei se a maioria é espanhola’’, exemplificou.
Fernando Henrique viajou com Roseana até São Luís no Boieng presidencial e participou de rápido ato público no aeroporto. Roseana submeteu-se a várias cirurgias e agora retoma sua campanha pela reeleição.

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