O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que está convencido de que o plenário do Congresso ‘‘honrará o acordo’’ para o reajuste do salário mínimo a R$ 180 e que, conforme acordo fechado na noite de terça-feira, será antecipado para abril no ano que vem. ‘‘O Congresso não faltará, tenho certeza, ao desejo que é do governo, que é do País, que é dos sindicatos, mas que é, sobretudo, dos nossos trabalhadores’’, disse o presidente.
Questionado sobre as reclamações de alguns líderes partidários que ainda ontem de manhã ameaçavam não cumprir o acerto feito com o governo, FHC ignorou o caso. Ele preferiu apenas fazer uma declaração à Nação para exprimir ‘‘a satisfação e a alegria de ver que o Congresso está atuando de uma maneira consequente’’.
FHC disse ainda que o acerto possibilita ver que a sociedade está tendo suas aspirações atendidas ‘‘dentro das possibilidades’’ e que também demonstra ‘‘que o governo não se furtou a fazer o possível e o impossível para atingir a meta desejada por todos’’.
Para o presidente, o governo ‘‘está convencido’’ de que a aprovação das leis que alteram o Código Tributário Nacional – e que tratam do sigilo e da elisão fiscal (uso de brechas na legislação para pagar menos impostos) – renderão recursos suficientes para cobrir tanto a parcela que constituirá o salário mínimo (R$ 1,6 bilhão) quanto as emendas parlamentares que forem cortadas. ‘‘Se elas não forem contempladas pelos fundos de contingência, serão contempladas por meio dessas modificações (nas leis)’’, afirmou.
Novamente, o presidente fez outro elogio ao Congresso por dar crédito à proposta do governo de arrecadar fundos pelo combate à sonegação fiscal. ‘‘Significa primeiro um voto de desejo do Congresso tão grande (de reajustar o mínimo) que ele abre mão, momentaneamente, de considerar uma verba fixa para as emendas’’, disse.

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