O presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu ontem que poderá utilizar parte dos recursos obtidos com a privatização do Sistema Telebrás para outros fins, além do abatimento do dívida pública. Fernando Henrique não informou em que o dinheiro será aplicado e disse que ainda discutirá o assunto com o ministro da Fazenda, Pedro Malan. De acordo com o presidente, embora ‘‘o grosso dos recursos’’ seja destinado ao pagamento da dívida, será possível conversar sobre outras destinações porque a arrecadação com a venda da Telebrás ‘‘superou, em muito, o que se imaginava’’.
O presidente não quis associar os resultados da privatização, que considerou ‘‘extremamente positivos’’, com a redução das taxas de juros. Para ele, o efeito imediato da venda da Telebrás é a diminuição do estoque da dívida pública. Satisfeito, Fernando Henrique negou que o resultado da privatização favoreça a sua reeleição. ‘‘Isso conta a favor do Brasil, do povo brasileiro e reeleição é outro assunto, que não tem essa envergadura’’, comentou. O presidente lamentou os distúrbios ocorridos no Rio de Janeiro, onde houve confronto entre manifestantes e policiais.’’
Eufórico com a privatização de ontem, o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, depois de uma conversa com o presidente da República, disse: ‘‘Estou absolutamente excitado com o que vai acontecer com o consumidor. O Brasil deu exemplo para o mundo todo’’. Segundo ele, ‘‘a qualidade dos operadores que vão tomar conta do consumidor brasileiro a partir da próxima semana’’ atesta o resultado satisfatório do leilão, mais que o valor arrecadado. Apesar de se dizer calmo, Mendonça de Barros atacou a oposição, que havia criticado tanto a forma do leilão quanto aos valores que seriam arrecadados. ‘‘Não vou perder a paciência com o comentário desqualificado dessas outras pessoas. Esses técnicos nunca venderam um botequim’’.

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