FHC acusa manipulação no desemprego
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sexta-feira, 28 de novembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaNão nos deixemos
abater por estas
sensações de que
não temos condiçõesO presidente Fernando Henrique Cardoso insistiu ontem no discurso otimista para com o crescimento econômico brasileiro e criticou a manipulação de dados sobre o desemprego no País. Desta vez, o que irritou o presidente foi a divulgação da pesquisa feita pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), que aponta um aumento de 16,5% na taxa de desemprego na Grande São Paulo em outubro.
Fernando Henrique condenou a leveza com que se manipula a taxa de desemprego no Brasil e questionou os métodos usados. O presidente deu como exemplo a decisão de entrevistar pessoas de 10 a 24 anos e incluir pessoas que nem mesmo estão procurando emprego. As declarações foram feitas durante solenidade de lançamento do Programa Federal de Racionalização e Adequação da Frota de Ônibus Urbano.
Esteja ou não procurando um emprego, estando desempregada, é calculada, argumentou, comparando a metodologia do Dieese com a usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que vem registrando dados bem menores de desemprego. Não nos deixemos abater por estas sensações de que não temos condições, cobrou.
O presidente afirmou que o governo fará o possível e o impossível para se defrontar com o problema do desemprego no País e está criando uma dinâmica com o objetivo de não aceitar passivamente o crescimento desta taxa. A solução, afirmou Fernando Henrique, virá em um prazo mais longo, com a queda que se registra no crescimento populacional brasileiro.
Ele argumentou que, ao contrário dos países europeus, a oferta de mão-de-obra no Brasil é declinante e não crescente e o País ainda possui imensas possibilidades de investimentos. Desde que lançou o pacote de ajuste fiscal, há 18 dias, o presidente faz discursos ou dá entrevistas justificando as medidas do governo e insistindo na fala contrária à recessão. Hoje, Fernando Henrique voltou a garantir que o governo tomou duras medidas para preservar o real, mas não se descuidou do setor produtivo.
Ao fazer referência à taxa de juros mais baixa que será oferecida aos empresários privados para a renovação da frota ônibus urbanos, Fernando Henrique lembrou que também a agricultura não está submetida às taxas de juros dos títulos públicos, atualmente de 40% ao ano.
O presidente reconheceu que o ajuste fiscal afeta o consumo, mas afirmou que o governo está atento para impedir a paralisação do setor produtivo. Um país como o Brasil não pode se dar ao luxo de desorganizar seu sistema produtivo, nem o agrícola, nem o industrial, nem o de serviços, ponderou. Nem se dar ao luxo de estar limitado pelas forças de mercado, que existem e são fortes, continuou o presidente, acrescentando que uma nação não se compõe de mercado, compõe-se de pessoas.


