FHC abranda tom e revê ameaça de suspender compras
Entre o Brasil e a Argentina nunca se sabe como as crises começam, mas sempre se sabe como terminam: elas terminam bem. A histórica frase do ex-embaixador brasileiro em Buenos Aires Marcos Castrioto de Azambuja (atual embaixador em Paris), pronunciada em meados dos anos 90, foi recordada com intensidade ontem na capital argentina, indicando que a nova crise comercial poderia estar se diluindo.
Nos últimos dias, o governo e os analistas haviam ignorado a decisão brasileira de suspender as negociações comerciais em protesto contra a resolução do ministro da Economia, Domingo Cavallo, que reduzia as tarifas para a importação de produtos de informática e telecomunicações extra-Mercosul. A medida prejudicaria as vendas desses produtos brasileiros no mercado argentino, onde, até semana passada, possuíam preferências alfandegárias.
Ontem, a ameaça de suspensão das compras de petróleo e de trigo da Argentina por parte do Brasil causaram pânico em Buenos Aires, já que estas exportações argentinas representam 30% do total das vendas ao exterior do país. Os comentários do presidente Fernando Henrique Cardoso de que na Argentina existiria um risco institucional também abalaram os mercados locais. A ministra do Trabalho, Patricia Bullrich, irritada com a análise de FHC, comentou: Não gosto que um presidente de outro país opine sobre nossas coisas quando não possuem relação com fatos que tem a ver com sua economia.
No entanto, à tarde, as declarações do presidente FHC de que confiava na recuperação econômica argentina, somadas às do chanceler Celso Lafer de que não haveria suspensões das compras de produtos, causaram um suspiro de alívio.
Um dos principais especialistas sobre o Mercosul, o economista Raúl Ochoa, disse que Cavallo havia se apressado ao alterar a Tarifa Externa Comum (TEC). Havia datas combinadas com o Brasil para analisar estas alterações. Mas Cavallo, novamente, acelerou as decisões, disse.
Elói de Almeida, o presidente do Grupo Brasil, associação que reúne mais de 200 empresas brasileiras instaladas na Argentina, declarou que a crise terá final feliz, porque se existe crise é porque existe comércio. E para a Argentina é bom o comércio com o Brasil porque há muito tempo lhe proporciona superávit comercial. (AE)





