A taxa de desemprego em 1998 será em média de 7%, de acordo com previsão da FGV (Fundação Getúlio Vargas). O número representará um aumento de 20,68% sobre os 5,8% que a FGV estima tenha sido a taxa média de desemprego em 1997. O desemprego maior seria fruto da redução da atividade econômica.
A previsão de desemprego da FGV está no editorial da revista ‘‘Conjuntura Econômica’’, editada pela instituição, de janeiro, divulgado ontem por Antônio Salazar, diretor do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), órgão da FGV, e por Lauro Vieira de Faria, editor da revista. O editorial da revista diz que ‘‘a economia brasileira estará em ‘palpos de aranha’ se ocorrer um grave desgaste das elites no poder devido, por exemplo, ao acréscimo do desemprego’’.
A dificuldade viria de uma possível derrota eleitoral do presidente Fernando Henrique Cardoso, que Faria considera uma hipótese ‘‘pouco provável, mas não impossível’’. Caso o atual governo perca a eleição, Faria considera que o novo governo não teria compromisso com o Plano Real, provocando uma fuga em massa de capitais.
O editorial da revista da FGV traça um quadro pouco otimista para os principais fundamentos da economia brasileira em 98. Faria disse que 98 será ‘‘o ano da verdade’’, enquanto 97 foi ‘‘o ano da esperança frustrada’’.
A frustração, de acordo com o editorial da ‘‘Conjuntura Econômica’’, ficou por conta da expectativa de que a estabilização da moeda e a abertura econômica trouxessem o aumento das taxa de crescimento da economia e das exportações, reduzindo o desequilíbrio externo e retomando o pleno emprego.
Para 98, a FGV avalia que há muitas incertezas no caminho da economia brasileira, começando com o desdobramento da crise asiática. Mantida a tendência atual, a instituição considera que a economia do País crescerá apenas 1%, contra 3,5% estimados para 97.
Um desdobramento negativo da crise asiática pode mudar, para pior, a situação. A variável positiva que pode aumentar a atividade econômica, medida pelo PIB (Produto Interno Bruto), é o fato de 98 ser um ano eleitoral. Isso pode significar obras públicas.
A agricultura poderá também, na avaliação da FGV, ser um fator a pressionar positivamente a taxa de crescimento do PIB. A FGV avalia que a balança comercial (exportações menos importações) vai melhorar, com o déficit caindo de US$ 8,6 bilhões no ano passado para US$ 3,6 bilhões este ano. Isso ocorreria devido a uma redução de 5% nas importações e um crescimento de 4% nas exportações.

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