FGV prevê desaceleração dos IGPs
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quarta-feira, 16 de março de 2011
Alessandra Saraiva <br> Agência Estado 
Rio - As taxas acumuladas em 12 meses dos Índices Gerais de Preços (IGPs) devem continuar a desacelerar nos próximos meses, segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salomão Quadros. Ele fez o comentário ao analisar a taxa menor do IGP-10 acumulado em 12 meses, que saiu de 11,44% para 11,14% de fevereiro para março. Efeito mais forte será observado no segundo semestre, disse.
Quadros comentou que, atualmente, a série das taxas acumuladas em 12 meses dos IGPs é formada por resultados mensais acima de 1%, referentes ao ano passado. Este ano, o cenário atual da inflação, pelo menos até o momento, não mostra sinais que possam conduzir a taxas mensais sucessivas acima de 1%. No ano passado, houve um aumento expressivo nos preços das commodities, que não deve se repetir este ano, em igual magnitude.
Segundo ele, o movimento de desaceleração da taxa em 12 meses deve ser percebido com mais força a partir do segundo semestre, porque o avanço da inflação medida pelos IGPs foi mais intenso nos últimos seis meses do ano passado. Ou seja: quando as taxas mensais referentes ao segundo semestre de 2010 forem retiradas da série, e substituídas por taxas menores, isso vai levar a uma trajetória mais intensa de desaceleração no desempenho acumulado em 12 meses, de acordo com o especialista.
Alimentos
Embora a inflação no atacado tenha desacelerado (de 1,16% para 0,99%), os preços dos alimentos atacadistas continuam em alta, e pode haver repasses rápidos de aumentos de preços para o varejo, na avaliação de Quadros.
De acordo com ele, os preços do grupo alimentação dentro do atacado saíram de uma queda de 1,27% para um aumento de 2,03% de fevereiro para março, dentro do IGP-10. Entre os exemplos de produtos que estão com os preços em aceleração estão os alimentos in natura (de 0,29% para 7,33%), cujos aumentos provocam repasses rápidos de elevação para o varejo.
''Podemos ter algum impacto imediato no varejo, destes repasses. A transmissão é rápida. Mas não acho que estes repasses de aumentos de preços vão se manter. Nem todos os alimentos dentro do atacado estão avançando'', afirmou, acrescentando ainda que a movimentação dos preços dos alimentos in natura é muito volátil. Ou seja: os preços dos alimentos in natura podem voltar a desacelerar e até mesmo a cair no mês que vem. ''Em março, a inflação dos alimentos vai avançar no varejo. Mas pode atenuar nos meses seguintes'', resumiu.


