FGV prevê a manutenção da economia de energia em 10%
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sexta-feira, 01 de março de 2002
Agência Estado 
São Paulo - Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que a economia de energia elétrica continuará em cerca de 10% no País, mesmo com o fim do racionamento imposto pelo governo, segundo o diretor de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado (Fiesp), Luiz Gonzaga Bertelli. O especialista afirma que o racionamento foi um aprendizado. Muita gente que desperdiçava energia elétrica se tornou austero no seu uso. Foi um ganho para o País.
Bertelli era favorável à continuidade do racionamento, para uma recomposição maior dos reservatórios, pensando em 2003. Apesar de o volume de água estar neste mês acima do verificado em 2001 (35%) e em 2000 (45%), ele está longe dos percentuais alcançados entre 91 e 99, quando variaram de 62% a 88%, explica. O nível de água dos reservatórios, portanto, continua baixo. É suficiente para atravessar este ano, mas não garantiria 2003.
O especialista salientou que o governo deveria esperar o volume de água dos reservatórios ocupar 60% da capacidade, antes de pensar no término do racionamento. A decisão da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE) está relacionada ao fato de este ser um ano de eleição.
Segundo Bertelli, atualmente, o governo está otimista em relação às chuvas e ao comportamento do consumidor, pois acha que a demanda por eletricidade não voltará ao ritmo que estava antes de junho, quando entrou em vigor o racionamento. Mas o governo preferiu trocar a água por térmicas emergenciais, que operam com custo mais alto.
Ele citou que nos cálculos da Universidade de São Paulo (USP), o custo para construir as térmicas a gás natural e também para indenizar as distribuidoras por causa das perdas de receita com o racionamento vai resultar numa elevação extra de 2% a 3% nos preços das tarifas de energia elétrica, em 2002.
Para a indústria, o aumento de tarifas deve ser da ordem de 7% neste ano, segundo as estimativas, disse Bertelli, ao lembrar ainda que a decisão de terminar o racionamento, para o governo, foi técnica, fundamentada em indicadores fornecidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico.
Bertelli lembrou que um estudo desenvolvido por analistas da FGV mostrou que a indústria aprendeu com o programa de racionamento a produzir mais com menos energia. Os ganhos de produtividade foram imensos no período.


