FGV: pressão das commodities agrícolas manterá inflação no varejo
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Alessandra Saraiva <br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - Até o fim do ano, deve persistir a tendência inflacionária nos preços dos alimentos no varejo Levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), feito a pedido da Agência Estado, mostra que a inflação das matérias-primas agropecuárias no atacado, de repasse quase automático nos preços dos gêneros alimentícios junto ao consumidor, atingiu em novembro o maior patamar em mais de dois anos Tomando por base os dados do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) de novembro, a FGV apurou alta de 20,15% no acumulado em 12 meses nos preços destes produtos, a mais intensa neste tipo de comparação desde setembro de 2008, quando subiam 20,29%
As matérias-primas brutas agropecuárias comercializáveis (commodities) atingiram a primeira taxa positiva acumulada do ano, com alta de 6,61% nos 12 meses encerrados em novembro, a maior em quase um ano e meio ''Isso vai levar a novos repasses de aumentos de preço nos alimentos no varejo A cadeia de derivados destes produtos é muito longa junto ao consumidor'', alertou o responsável pelo levantamento e coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros
Ele lembrou que a onda de aumentos originados do setor agropecuário começou nos últimos dois meses Porém, a partir de novembro, a intensidade das altas mostrou que a inflação não está arrefecendo ''Ainda não posso fazer uma estimativa para a inflação de 2011 Mas, podemos dizer que existem combustíveis novos para a elaboração de novos surtos de elevação'', afirmou o especialista ''O que nós podemos descartar é a ideia de que o pior já passou'', afirmou
Na prática, as elevações de preços são mais intensas em produtos relacionados a commodities agrícolas O analista da Scot Consultoria, Alex Lopes da Silva, comentou que produtos como farelo de soja e subprodutos de algodão estão mais caros no mercado De acordo com Silva, alguns produtos, como o caroço de algodão, começam a faltar no mercado ''Os alimentos concentrados proteicos estão mais caros'', resumiu
Para a economista do Santander, Tatiana Pinheiro, o cenário atual nos preços das matérias-primas agropecuárias é um fator a mais para elevar as expectativas quanto aos resultados dos indicadores de 2011 ''Creio que estamos nos distanciamento do centro da meta inflacionária para o ano que vem (de 4,5%)'' disse a técnica, acrescentando que a projeção do banco para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor - Amplo (IPCA) de 2011 é de 5% Ontem, o IBGE divulgou o IPCA-15 de novembro, de 0,86%, bem acima do teto da projeção média de mercado, que estava em 0,77% (Veja matéria nesta página)
Para os Índices Gerais de Preços (IGPs), a previsão do Santander é que terminem em torno de 4,7% para o ano que vem ''Mas podemos revisar a estimativa dos IGPs para cima, caso esta pressão de agropecuárias permaneça neste nível'', acrescentou Tatiana Apesar do avanço das expectativas, o Santander não aposta em alta na taxa básica de juros (Selic), atualmente em 10,75%, na próxima reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), marcada para a segunda semana de dezembro - a última do ano ''O BC deve elevar os juros sim, mas somente na primeira reunião do Copom em 2011'', acrescentou a analista
O economista do banco Schahin, Silvio Campos Neto, avalia que com a provável mudança no comando do Banco Central (BC) no ano que vem, o primeiro do governo Dilma Rousseff, crescem as incertezas sobre a condução da política monetária, bem como sobre a autonomia da autoridade monetária para manter a inflação no centro da meta ''Não há sinais de alívio sólido na inflação no curto prazo, com variações elevadas no varejo e no atacado A pressão entre os alimentos está mista, com alguns itens desacelerando, mas outros ainda puxados A inflação mais alta em 2010 pode contaminar parcialmente os índices de 2011, diante da inércia que ainda existe em alguns preços'', resumiu o especialista


