São Paulo - O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), Paulo Picchetti, afirmou ontem que continua trabalhando com uma expectativa de que o indicador de inflação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) encerrará 2010 com uma taxa acumulada de 5%. Em entrevista à imprensa, ele destacou que, apesar de o índice ter apresentado uma importante aceleração entre setembro e outubro, de uma taxa de 0,46% para 0,59%, há uma tendência de que o processo de altas menores iniciado na última semana de outubro seja mantido nos próximos levantamentos da FGV, além da possibilidade de uma espécie de compensação da taxa de outubro em forma de números mais amenos em novembro e dezembro.
Picchetti ressaltou, entretanto, que não há uma certeza em relação a este cenário em virtude de alguns fatores importantes que precisam ser avaliados no decorrer do último bimestre do ano. O primeiro, de acordo com ele, é a volatilidade apresentada pela parte in natura do grupo Alimentação. O segundo é a indefinição sobre o comportamento do câmbio no País, já que, se o dólar apresentar alguma recuperação ante o real no curto prazo, preços de itens industrializados e comercializáveis podem sofrer alguma pressão inflacionária.
Ontem, a FGV informou que a alta do grupo Alimentação passou de 0,84% para 1,38% no IPC-S entre o final de setembro e o final de outubro. A informação que trouxe algum alívio para o indicador geral ficou por conta da desaceleração que o grupo mostrou em relação à alta de 1,51% da terceira quadrissemana do mês passado. Picchetti chamou a atenção, porém, para o fato de o segmento de Hortaliças e Legumes ter apresentado, no final de outubro, uma alta importante de 2,02% ante variação positiva bem menor, de 0,03%, na terceira quadrissemana do mesmo mês.
Outro detalhe importante dentro do grupo Alimentação é que, de acordo com o coordenador do IPC-S, itens relacionados às commodities internacionais, como o pão francês e a carne bovina, tendem a mostrar altas moderadas, mas duradouras nas pesquisas da FGV. Entre a terceira quadrissemana e o encerramento de outubro, a alta da carne passou de 3,86% para 3,88%. O avanço no valor médio do pão francês, por sua vez, passou de 2,14% para 1,97%. ''Não vejo a continuidade destas altas em níveis tão fortes, mas elas tendem a permanecer por mais tempo no IPC-S'', comentou Picchetti.
Nos dez primeiros meses de 2010, o indicador de inflação da FGV acumulou uma taxa de 4,94%. Nos últimos 12 meses encerrados em outubro, acumulou uma taxa de 4,96%. O coordenador do IPC-S não descarta a possibilidade de as taxas mensais do índice, em novembro e dezembro, ficarem próximas dos números apresentados no mesmo período do ano passado, quando a inflação registrada foi de 0,26% e de 0,24%, respectivamente. Afirmou, no entanto, que sua expectativa anterior, de uma taxa média de 0,40% para os três meses finais de 2010 está mantida para os dois meses que restam para fechar o ano.

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