A produção da indústria de transformação deverá cair 10% no quarto trimestre, em relação ao terceiro, previu ontem o chefe do Centro de Estudos Tendenciais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Eden Gonçalves de Oliveira. Em uma visão mais pessimista, a queda pode alcançar 14%, repetindo o ocorrido de outubro a dezembro de 1991. Esta forte redução deverá ocorrer em decorrência do aumento das taxas de juros, do pacote fiscal e do agravamento da crise na Ásia esta semana. Nas estimativas da FGV, em 98 a indústria de transformação deverá ter um crescimento nulo e o PIB de apenas 1,5%.
Para 97, tanto indústria como o PIB, na avaliação da FGV, deverão ter expansão de 3% - as estimativas anteriores apontavam para 4%. Eden Gonçalves lembrou que a indústria automobilística e a de eletroeletrônicos passarão os próximos meses praticamente paradas. Muitas já entraram em férias coletivas e isso deverá afetar vários segmentos que fazem parte da cadeia produtiva.
Segundo Eden Gonçalves, que ontem divulgou os resultados da 125ª Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, os resultados da pesquisa já apontavam para um declínio de expectativas, porém como as entrevistas foram feitas em outubro - antes portanto, da crise -, seus resultados não expressam o que os empresários estão pensando agora a respeito do final de ano. Mesmo antes dos problemas causados pela Ásia, contudo, 22% das empresas já adiantavam que iam fazer demissões, enquanto somente 13 informaram intenção de contratar pessoal.
O economista explicou que uma retração de 5% na atividade industrial, do terceiro para o quatro trimestre, é normal em todos os anos, uma vez que as encomendas para o natal concentram-se entre julho e setembro. Apesar disso, pela sondagem, 36% das 1.442 empresas consultadas contavam com um aumento de produção nos três últimos meses do ano, confrontado com o terceiro, notadamente na área de bens de capital (54%), ao passo que somente 17% previam redução para a indústria de transformação em geral e 47% contavam com estabilidade. Havia, portanto, um saldo de 18% para as respostas positivas. Observe-se, contudo, que esta visão era apenas aparentemente otimista, já que era uma expectativa de crescimento em relação a um terceiro trimestre insatisfatório.
A pesquisa é feita pela FGV com 1.442 empresas industriais que em 96 faturaram R$ 121 bilhões, exportaram R$ 12 bilhões e empregaram 850 mil pessoas.

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