São Paulo - A elevação da carga tributária para 40,01% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, ante uma taxa de 38,95% no mesmo período do ano passado, foi duramente criticada ontem pelo professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) Geraldo Gardenali. Segundo o professor, a carga tributária acaba produzindo muitas distorções no sistema econômico. ''Ela impede o desempenho do mercado de capitais, descapitaliza as empresas, eleva a informalidade, gera passivos fiscais elevados pelas empresas, que são autuadas e impedidas de contraírem empréstimos'', afirmou o economista.
Além disso, uma carga tributária elevada desestimula os projetos de investimento. ''Como o País pode crescer de forma sustentada se não há investimentos?'', questionou. Para ele, muito deste aumento está ligado à elevação da Cofins. ''O pior é que os empresários avisaram que a mudança resultaria no aumento da carga tributária e o governo insistiu que não. Isso afeta a credibilidade'', afirmou. Gardenali lembrou que, quando se discutia carga de impostos, falava-se de taxas de 20% do PIB para países não desenvolvidos e de 30% a 35% para os desenvolvidos.
''Neste País, o problema é que os impostos que constituem uma base maior de arrecadação são os regressivos, cujas taxas são iguais para ricos e pobres. Em outros países, especialmente os desenvolvidos, a estrutura tributária tem como base impostos progressivos, que incidem sobre o rendimento. Desta forma, quem ganha mais paga proporcionalmente mais'', afirmou.
Gardenali lembrou que, com as privatizações - ''e nem sempre isto é levado em conta'' -, o cidadão passou a pagar mais pelos serviços. É o caso, por exemplo dos pedágios. ''Isto tudo deixa a base de comparação mascarada'', disse, ressaltando que muitas empresas ainda não repassaram para seus preços o aumento de custo por conta da elevação da alíquota da Cofins. ''Estas empresas, por conta da baixa demanda, ainda não encontraram espaço para repassar a Cofins, mas agora, com a retoma da economia, o repasse virá'', diz.
Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), responsável pelo estudo sobre a carga tributária, entre 1993 e 2003 o peso dos impostos no bolso do brasileiro aumentou de 25% para 36%, ou seja, mais de 1% ao ano.

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