A inflação de 1998, medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas, foi de 1,78%, a mais baixa desde o início do cálculo do índice, em 1989. Em relação ao ano passado, o IGP-M despencou 5,96 pontos porcentuais. Mas, longe de representar a boa notícia que se poderia esperar, a queda vertiginosa pode ser traduzida como o principal sintoma da recessão.
‘‘Desde que ficou clara, a partir de agosto, a tendência negativa da economia, estávamos trabalhando com expectativa de índices parecidos com este’’, diz Paulo Sidney Cota, chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV. A Fundação Getúlio Vargas chegou a registrar quatro meses consecutivos de deflação, o que é um mau sinal.
No início do ano, tendo por base o comportamento da economia em 1997, os técnicos da FGV previam que a inflação de 98 ficaria em torno de 5%. Pouco antes da crise russa, em agosto, a projeção havia baixado para 2,5% a 3%. Dois meses depois, chegou-se a estimar crescimento negativo, o que, se confirmado, seria um desastre para a economia brasileira.
Desde o início do Plano Real, os índices de inflação vêm decrescendo.
Em 1995, o primeiro ano depois da criação do Real, o IGPM foi de 15,25%. Em 96, caiu para 9,20%, num ritmo, portanto, mais acelerado do que o constatado este ano com relação a 1997. Só que em 96, a queda foi resultado do aquecimento da economia. Em 97, o IGPM foi de 7,74%, ou seja uma redução bem menos intensa, de apenas 1,46 pontos porcentuais.
O IGP-M de dezembro ficou em 0,45%. A taxa é resultado da combinação do Índice de Preços por Atacado (IPA), que foi de 0,94%; do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), de -0,19%, e do Índice Nacional de Custo da Construção, que ficou em -0,01. No acumulado do ano, todos os índices acabaram sendo positivos: IPA, 1,82%; IPC, 1,4%, e INCC, 2,75%.

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