A produção da indústria de transformação deve registrar taxa de crescimento de 1,2% este ano em relação ao ano passado, e continuará aquecida, devendo chegar no primeiro trimestre de 97 a um índice pelo menos 5% superior ao do igual período deste ano. Os dados da 121ª Sondagem Conjuntural da Indústria de Tranformação, divulgados ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), indicam também que o nível de atividade no setor está retomando patamares do segundo semestre de 1994 (Plano Real), que, associados ao aumento do consumo, desencadearam um pacote de medidas restritivas do governo no início de 1995.
O PIB da indústria de transformação - fabricante de bens de consumo final, bens de consumo intermediário (matérias-primas), bens de capital (máquinas e equipamentos) e material de construção - representa 75% do PIB total da indústria. Segundo o chefe do Centro de Estudos Tendenciais da FGV, Eden Gonçalves de Oliveira, apesar do aquecimento do setor, a expectativa é de que o desemprego aumente até dezembro. Empresas responsáveis pela absorção de 25% da mão-de-obra admitiram a intenção de dispensar parte do pessoal.
O levantamento, baseado no trimestre julho-agosto-setembro deste ano, reúne informações de 1.558 empresas que, em 1995, faturaram cerca de R$ 117 bilhões, exportaram R$ 13 bilhões e empregaram 1 milhão de pessoas. A sondagem inclui também alguns dados de outubro.
Um dos itens que confirmam o crescimento industrial é o nível de utilização da capacidade de produção. No universo pesquisado, constatou-se o uso de 85% da capacidade produtiva, ou seja, há ociosidade de apenas 15% no setor.
Esse índice de utilização é um dos mais altos desde 1980. Percentuais semelhantes só ocorreram em outubro de 86 (86%) e outubro de 89 (83%), início e fim do governo José Sarney, e em abril de 95 (86%), atribuído ao Plano Real. Os maiores níveis de utilização, em outubro, foram registrados no setor de bens de consumo intermediário.
Na gestão Sarney, contudo, foi registrado também a maior taxa de escassez de matéria-prima (44% em outubro de 1986). Atualmente, apesar da grande utilização da capacidade das indústrias, este índice de escassez é de apenas 4%, já que a abertura das importações está permitindo a entrada de maior quantidade de matéria-prima.

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