FGV alerta para risco de aumento da inflação
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terça-feira, 17 de agosto de 2004
Francisco Carlos de Assise e Célia Froufe<br> Agência Estado 
São Paulo - O coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, fez ontem um alerta para o risco do aumento da inflação no segundo semestre. A
elevação na variação média dos preços nos dois últimos trimestres do ano viria, segundo o economista, do repasse do aumento represado dos custos da indústria para o varejo. ''O aumento da inflação passa a ser uma preocupação'', salienta Quadros, que apresentou na manhã de ontem em São Paulo o balanço do primeiro semestre e as perspectivas para o ano do setor de embalagens, organizado pela Associação Brasileira de Embalagens (Abre).
Na esteira da retomada do crescimento econômico, o ambiente para o repasse de preços do atacado para o varejo vai se tornando cada vez mais propício, na avaliação do economista da FGV. ''Estamos na fase de absorção dos aumentos ocorridos no primeiro semestre'', diz Quadros. No setor de embalagens, o movimento é dado quase como certo. ''Teremos uma inflação de embalagens no segundo semestre'', afirma Quadros.
Ele cita os aumentos em dólar das commodities metálicas, por exemplo, que estão crescendo 50% ao ano, e o petróleo, com reajuste de 28,56% ao ano. ''No geral da economia, temos um Índice de Preços no Atacado (IPA) acumulando no ano uma alta duas vezes maior do que os indicadores de preços ao consumidor (IPCs). Enquanto os IPCs estão girando em torno de 5%, os IPAs estão em 10%'', diz o economista da FGV.
De acordo com Quadros, os aumentos por ele citados ocorreram ao longo do primeiro semestre e as empresas saíram prejudicadas porque naquele período não havia a menor possibilidade de se repassar preços.
Juros - Mesmo com a perspectiva de que a indústria tentará repassar para o consumidor o aumento de custos acumulado no decorrer do primeiro semestre, o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, não vê necessidade de o BC elevar a taxa de juros.
Segundo ele, não há indícios de pressão do câmbio. Além disso, ele ressalta que o setor varejista tem condições de absorver parte do eventual aumento de preços no atacado. ''A economia está crescendo, mas a inflação deverá fechar dentro dos 8%'', diz Quadros. O economista ressalta ainda que mesmo pelo momento por qual passa a economia com aumento do emprego e massa salarial , qualquer decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) não exerceria influência restritiva sobre a demanda agregada.


