FGTS tem remuneração extra pelo segundo ano seguido
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terça-feira, 14 de agosto de 2018
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Pelo segundo ano consecutivo, o trabalhador brasileiro terá um rendimento extra na sua conta de FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Será de 1,72%, oriundo do lucro que o próprio fundo obteve com investimentos no ano passado. Na média, o extra representa R$ 38 para cada uma das 258 milhões de contas. Junto com as correções mensais já feitas durante 2017, o rendimento total do FGTS foi de 5,59%.
O dinheiro começou a ser depositado nesta terça-feira (14) e todas as contas terão o recurso até o dia 31 de agosto. Segundo os gestores do FGTS, o lucro do fundo somou R$ 12,46 bilhões, sendo que a metade (R$ 6,23 bilhões) será dividida com os próprios trabalhadores. Até 2015, o fundo era remunerado em 3% ao ano mais a TR.
O FGTS investe em diversas operações financeiras, como títulos públicos, financiamento de projetos de infraestrutura e no FI-FGTS (Fundo de Investimento do FGTS), entre outras.
A Caixa lembra que o rendimento de 2017 foi o dobro da inflação oficial do período, de 2,95%.
Cotistas poderão consultar o valor recebido a partir de 31 de agosto no site da Caixa ou através do aplicativo para telefones celulares.
COMPARAÇÃO
"Como é uma conta individual do trabalhador, um dinheiro depositado pela empresa em nome do funcionário, deveria ser mais bem remunerado", afirma Alexandre Mantovani, sócio da Real Investor, de Londrina. O fato de o fundo só poder ser acessado pelo titular em situações específicas, como na demissão ou na compra da casa própria, faz dele um investimento de longo prazo o que, para Mantovani, reforça a necessidade de uma melhor remuneração. "Só agora é que o fundo atingiu o rendimento da poupança", afirma. De acordo com ele, o histórico de remuneração do FGTS é de 3,5% em média.
Mantovani ressalta que, mesmo com o repasse de metade do lucro para o trabalhador, como ocorreu neste ano e no ano passado, o rendimento do fundo é inferior, por exemplo, ao Tesouro Direto. Ele também critica o fato de o FGTS, que também tem a função de financiar moradias populares, ter sido usado em projetos que envolveram casos de corrupção.
Economista, professor universitário e colunista da FOLHA, Marcos Rambalducci considera que a atual política de remuneração é "melhor que a de antigamente". Mas também ressalta que o Tesouro Direto, "que oferece um risco quase zero" como o do FGTS, tem rentabilidade bem superior. "Um título prefixado rende 9,22% ao ano. Mesmo pagando imposto de renda, rende mais que o FGTS."
Por outro lado, o professor destaca que fundo tem dois objetivos muito importantes: funcionar como previdência pra o trabalhador no caso de desemprego e financiar obras. "Quando financia a construção civil, está abrindo empregos para os trabalhadores", alega. Por isso, no entendimento de Rambalducci, é justificável uma rentabilidade menor. (Com Agência Estado)


