FGTS poderá comprar ações do Banco do Brasil
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domingo, 14 de julho de 2002
Agência Estado<br> De São Paulo 
Trabalhadores que têm saldo de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) poderão investir no Banco do Brasil. O governo anuncia que colocará em oferta pública, entre setembro e outubro, as ações do Banco do Brasil excedentes do controle de 51% de participação acionária da União, numa operação de pulverização em que os trabalhadores poderão participar, utilizando recursos do Fundo, como aconteceu em duas outras anteriores, da Petrobrás e Vale do Rio Doce.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Eleazar de Carvalho, revelou que faz parte desta operação a conversão de todas as ações preferenciais, em poder do público, em ações ordinárias (com direito a voto), o que dará ao BB status de segunda empresa a ter seus papéis negociados no chamado ''novo mercado'' da Bovespa.
Segundo avaliações de especialistas, a operação poderá injetar nos cofres do governo entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão. Carvalho anunciou também que o governo desistiu, definitivamente, da pulverização das ações de Furnas Centrais Elétricas, que também continuaria com 51% em poder do Estado. ''Os prazos para organizar a empresa não foram cumpridos e não há mais tempo para preparar e concluir a venda'', explicou.
A decisão final que confirmará ou não o uso do FGTS na operação do BB depende da discussão entre os membros do Conselho Curador do Fundo, que ainda não ocorreu. Mas o enorme interesse manifestado pelos trabalhadores na operação da Vale, quando a demanda foi três vezes maior do que o limite permitido, deverá influenciar favoravelmente a decisão, sobretudo entre os líderes sindicais que integram o conselho do FGTS.
Segundo o presidente do BNDES, a operação BB terá algumas diferenças em relação às da Petrobrás e Vale. A primeira delas é que não será uma operação de oferta global, no Brasil e no exterior: ficará restrita ao mercado brasileiro. O investidor estrangeiro que desejar participar vai trazer seus recursos de fora e adquirir ações aqui.
Haverá limitações ao capital estrangeiro, cuja participação acionária não poderá exceder a 25%. O formato de oferta pública das ações dará maior agilidade à operação, dispensando o cumprimento de certos prazos. ''Uma vez cumpridas as exigências da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a operação pode ser imediatamente realizada'', diz confiante o presidente do Bndes. No dia 6 de agosto será contratada a empresa que vai preparar a venda.


