Curitiba - O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação do País, registrou alta de 0,60% em fevereiro. A pesquisa foi divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A inflação do mês passado desacelerou em relação a janeiro - quando registrou 0,86%, devido à redução do preço da conta de luz, mas acelerou em relação a fevereiro do ano passado, quando ficou em 0,45%.
No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA atingiu 6,31%, acima dos 6,15% encerrados em janeiro e o maior valor desde dezembro de 2011 - quando atingiu 6,50%, teto da meta estabelecida pelo governo federal. Em 2012, o acumulado ficou em 5,84%.
A alta esperada pelo mercado era de 0,49% - com as projeções variando de 0,38% a 0,56%. Para a inflação em 12 meses, a expectativa era de alta de 6,20% - as estimativas foram de 6,08% a 6,30%.
Em Curitiba, a inflação em fevereiro foi de 0,47%, no ano de 1,15% e no acumulado dos 12 meses de 6,27%. Em janeiro, a inflação da Capital paranaense tinha sido de 1,01%.
O aumento da inflação no País em fevereiro foi impulsionado por alimentos e bebidas (grupo que subiu 1,45%), educação (5,4%) e transportes (0,81%). Os três grupos impactaram o IPCA em 0,35 ponto percentual, 0,24 e 0,16, respectivamente.
Por outro lado, o grupo habitação teve a maior queda do mês (2,38%) puxado pela redução de 18% no preço da conta de luz dos consumidores, que entrou em vigor em 24 de janeiro. Foi o único grupo que apresentou deflação e responsável por diminuir o IPCA em 0,35 ponto percentual.
A redução de 15,17% no preço da energia elétrica em fevereiro impactou negativamente o índice em 0,48 ponto percentual. Contando com a queda de 3,91% já incorporada no índice em janeiro, as contas de energia passaram a custar 18,49% menos neste ano.
Para o professor do curso de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e conselheiro do Corecon-PR, Carlos Magno Bittencourt, o índice de inflação do País é preocupante. ''O governo vai ter que mexer na taxa de juros ou aumentar o depósito compulsório'', disse. O compulsório é o percentual dos depósitos à vista, a prazo e da poupança, que são retidos no Banco Central.
Ele acredita que o governo não deve mexer nos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) em função da repercussão do ''pibinho''. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro fechou 2012 com crescimento de apenas 0,9%.
Bittencourt lembrou que o aumento dos juros inibe o consumo e, no último ano, foi o consumo das famílias que fez a economia crescer, mesmo que a passos lentos.

Capital
Em Curitiba, os itens que mais pressionaram a inflação em fevereiro foram alimentação e bebidas (1,16%), vestuário (1,17%) e educação (5,58%). Bittencourt explica que no grupo de educação houve a pressão do reajuste anual dos professores e dos gastos com material escolar e uniforme.
Em alimentos, tem pesado no bolso do consumidor a alimentação fora de casa e a safra agrícola que ainda não tinha iniciado com mais intensidade no mês passado. E, vale destacar, que Curitiba, ainda não teve o impacto da alta do transporte público. A única queda verificada na Capital foi em habitação (-2,48%). Bittencourt acredita que isso pode ser explicado devido ao excesso de oferta de imóveis na cidade. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Fevereiro registra inflação oficial de 0,6%
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