A Fetaep defende um modelo de extensão rural que prevê a criação de um sistema mais enxuto no que se refere a sua estrutura, mas mais integrado à agricultura familiar, no que se refere a sua filosofia. Esse sistema envolve uma articulação entre a Emater e os sindicatos de trabalhadores rurais para que as programações de assistência técnica sejam feitas em conjunto.
Essa proposta é válida tanto para nível estadual como federal e foi apresentada ontem durante o Seminário Estadual de Extensão Rural para a Agricultura Familiar. O seminário começou segunda-feira no parque Castelo Branco, em Curitiba, e vai se estender até o dia 13. As propostas apresentadas serão levadas para um workshop que será realizado em Brasília entre os dias 20 e 24 de novembro.
O presidente da Fetaep, Antônio Zarantonello, critica o modelo atual de extensão rural que não atende a agricultura familiar. Segundo ele, o Paraná tem cerca de 300 mil pequenos produtores e a Emater não atende nem 10% desse contigente. Ele argumenta que o técnico aprende na universidade a desenvolver a agricultura enquanto o agricultor familiar está pobre. A agricultura de exportação de alta tecnologia além de gerar riqueza para uma minoria no campo, concentra a propriedade. Enquanto isso o agricultor familiar que produz alimentos continua pobre e sem acesso a tecnologia.
O presidente da Emater, Rogério Faucz, não concorda com a afirmação de Zarantonello. Ele explicou que recebe relatórios dos 950 extensionistas que estão espalhados no interior dando conta que no ano passado a Emater atendeu 175.000 produtores rurais e desse total 144.000, que correspondem a quase 50% dos que existem no Estado, são pequenos produtores.
Faucz concorda que é preciso acelerar a integração com os pequenos agricultores, mas ele acredita que a realização de um seminário vai unificar as posições. Além disso ele defende que além da Emater, as prefeituras, Sindicatos, associações de produtores devem participar da extensão para a agricultura familiar.
A superintendente do Incra saiu em defesa do presidente da Emater, argumentando que a estrutura do Paraná é a única no país que atende os assentamentos. Ela não tnha informações sobre o número de assentamentos atendidos pela Emater, mas salientou que os técnicos da instituição participam do levantamento de informações para a execução da reforma agrária no Estado. Eles desenvolvem estudos de solo nas áreas desapropriadas, avaliam a viabilidade econômica e indicam o número de famílias para as áreas de assentamento, salientou.

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