O desemprego de assalariados (com carteira de trabalho) no meio rural já atinge 451 mil pessoas todo o país, segundo levantamento da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná. A preocupação está sendo discutida no Seminário Regional Sul de Assalariados, que começou ontem, na Fetaep, e se estende até a próxima sexta-feira. Uma das soluções propostas é a viabilização de um assentamento para os assalariados da área rural desempregados, antecipou o diretor da Fetaep, Jairo Corrêa de Almeida.
O seminário está reunindo representantes de trabalhadores rurais do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Eles estão repensando o processo de negociação salarial e de campanha salarial, apesar do quadro de inflação baixa e livre negociação salarial. Almeida destacou que a média salarial no campo está muito baixa e precisa ser revista.
Atualmente, os trabalhadores rurais ganham um salário mínimo, mais 20%. A Delegacia Regional do Trabalho aprovou a proposta que impõe o pagamento de um salário mínimo mais 30%, mas ela está sendo contestada no Supremo Tribunal Federal, em Brasília.
Outros temas como convenções coletivas, dissídios e negociações estão sendo abordados no encontro. Segundo orientação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) as discussões não podem continuar centradas apenas nas cláusulas econômicas.
Ela defende a abordagem de novas temáticas, como por exemplo, mudanças na organização do trabalho, introdução de novas tecnologias, participação nos lucros e resultados, proteção e geração de empregos, tratamento de saúde, qualificação profissional e educação básica.
A discussão desses temas revela que o aumento da produção já não representa, necessariamente, ampliação de mercado de trabalho nem elevação de salários, disse Almeida. Segundo ele, a redução dos postos de trabalho na área rural se deve ao processo de reestruturação produtiva da agricultura patronal, por causa da adesão de novas tecnologias, mecanização do plantio, uso de novas variedades biológicas e nas modificações das gestões internas das empresas.ArquivoEscassoCom trabalho cada vez mais escasso, aumenta o desemprego no campoVânia Casado

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