Fetaep prevê conflito no campo e cidades
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quinta-feira, 10 de agosto de 2000
Telma Elorza De Londrina 
As consequências das geadas deste ano sobre a situação dos trabalhadores rurais podem ser graves, com conflitos no campo e nas cidades, se os governos Federal, Estadual e municipais não buscarem alternativas viáveis para minimizar o desemprego que vai haver na área. O alerta foi feito ontem à Folha pelo presidente da Federação de Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep), Antônio Lúcio Zarantonello, que se diz muito preocupado com a falta de interesse das autoridades sobre o assunto.
Zarantonello afirma que já alertou o secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Antônio Poloni, por duas vezes; uma delas, em reunião com um representante do Ministério da Agricultura. Até agora, os governos estão preocupados em contabilizar perdas. É importante ter este diagnóstico mas não podemos ficar só nisso. É preciso pensar e colocar em prática alternativas para interromper esta crise aguda de desemprego que vai haver no campo, afirma. Mas até agora, cerca de 30 dias depois do fenômeno, o processo ainda está muito lento, se é que existe alguma coisa neste sentido, critica.
O presidente da Fetaep visualiza um quadro negro para um futuro próximo, embora afirme não poder avaliá-lo com precisão já que as consequências da geada seriam incalculáveis por um período de três anos. Em 2001, teríamos uma colheita de 2,6 milhões de sacas de café. A perda foi de 70%. Os trabalhadores no Paraná, onde ainda se depende da mão humana nesta área, não vão ter esta oferta de emprego, observa. Porém, segundo ele, o desemprego pode começar a ser sentido ainda este ano, já que cerca de 200 mil bóias-frias não vão plantar cana-de-açúcar, quando terminar a colheita do café. A geada estragou as mudas de cana e isso agrava a falta de oferta, que já é crônica, explica.
Segundo Zarantonello, somente no Paraná existem entre 450 e 500 mil bóias-frias. Somados a estes, há cerca de 350 mil pequenos produtores rurais que também vão ter dificuldades em se manter no campo. Já imaginou se todo este povo vai para as cidades em busca de oportunidades?, aponta. Para ele, esta é uma situação para ser encarada com seriedade e que todos cidadãos de bom senso deveriam estar preocupados. Nós estamos falando de fome. Estes trabalhadores, que só sabem fazer isso, que não estão preparados para disputar as poucas vagas disponíveis nos centros urbanos, não vão ter o que comer, afirma.
O resultado pode ser uma grande desordem pública, com mais invasões no campo com um inchaço no Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e até nas cidades. Se mais gente no campo ficar sem alternativas, a tendência de que isso ocorra é forte.
A Fetaep está, segundo seu presidente, preparando um documento para ser encaminhado ao ministro Extraordinário da Política Fundiária, Raul Jungmann, alertando-o sobre os fatos. Mas precisamos envolver todos, governo, Igreja, lideranças, entidades, organizações sociais, juntos temos que pensar e agir. E logo, conclui.


