Hoje serão fechadas três agências, no Sudoeste. Se governo não liberar recursos, serão fechadas mais cem

Vânia Casado
De Curitiba
Os pequenos produtores do Paraná voltam a fechar agências do Banco do Brasil, em protesto contra a falta de recursos para custear a safra de verão. Hoje serão fechadas agências do BB em Salto do Lontra, Nova Prata do Iguaçu e Nova Esperança do Sudoeste, na região Sudoeste. ‘‘Se não sairem os recursos que estão faltando para complementar o plantio até a semana que vem, o protesto vai atingir mais de 100 municípios’’, advertiu Sergio Gutierrez, da Federação dos Trabalhadores Rurais na Agricultura do Paraná (Fetaep).
Conforme levantamento da Fetaep faltam R$ 34 milhões para complementar o plantio com recursos do Pronaf (Programa Nacional de Apoio a Agricultura Familiar). Gutierrez disse que as informações à respeito das disponibilidades dos recursos estão contraditórias e isso está revoltando os produtores. Em Brasília, a diretoria de crédito rural do BB alega que está sobrando dinheiro na linha de crédito do Pronafinho, com limite de crédito até R$ 1.200,00 para custeio. Enquanto isso, a Superintendência do BB no Paraná alega que os recursos já foram aplicados.
A Fetaep pretende repetir o movimento que fechou a agência do Banco Central, em Curitiba, há pouco mais de um mês. Naquela época, a direção do BB debelou o movimento com o anúncio da liberação de R$ 30 milhões, na linha do Pronaf. Parte do dinheiro foi liberado e com ele já foram feitos 70 mil contratos de custeio. Ocorre que ainda faltam cerca de 16 mil contratos para serem fechados e o BB disse que já aplicou todo o dinheiro.
Até a semana que vem a Fetaep, através dos sindicatos de trabalhadores rurais, pretende organizar o movimento nos municípios, e se continuar a falta de dinheiro, Gutierrez alerta que a agência do BC pode ser invadida sem data determinada.
Este ano a escassez de recursos está mais evidente, porque aumentou a demanda em mais de 50%, que estão recorrendo ao Pronaf pela primeira vez. Os agricultores pedem urgência na solução desse impasse porque o período de plantio está se esgotando. Além disso, a maioria dos produtores já assumiu compromissos com os vendedores de insumos e se não tiverem acesso ao crédito, terão que pagar juros de mercado em torno de 8% a 10% ao mês, enquanto o juro do Pronaf é de 5,75% ao ano.

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