Os pequenos agricultores do Paraná não estão conseguindo recursos para investimentos através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) pelo Banestado. A reclamação foi feita pelos Sindicatos de Trabalhadores Rurais da Região Seis da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep), que reúne 26 municípios do Norte do Paraná.
O coordenador Técnico e Econômico da Fetaep, Sérgio Aguilar Gutierrez, afirma que o Banestado recebeu instruções do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para operar com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) a linha do Pronaf/Investimento no dia 14 de agosto, só que até agora o banco não está atendendo os pequenos produtores que solicitam os recursos. ‘‘O problema é que muitos municípios não têm agências do Banco do Brasil, que está operando normalmente, e os produtores não conseguem os recursos no Banestado’’, afirma. No Paraná, apenas o Banestado e o Banco do Brasil estão aptos a operar com o Pronaf.
Segundo o coordenador regional dos Sindicatos da Região Seis, Ademir Mueller, os produtores que procuraram o Banestado não foram atendidos sob diversas alegações do banco. Entre as mais comuns, conforme Mueller, foram a falta de conhecimento das normas do Pronaf pelo banco; a falta de regulamentaçãos e a falta de recursos.
Mueller observa que o BNDES liberou este ano R$ 700 milhões, em duas etapas, e que restam apenas R$ 175 milhões para atender peqenos agricultores de todo o País. O coordenador dos Sindicatos da Região Seis explica que não há dotação específica para cada Estado, e que por isso os pequenos produtores do Paraná correm o risco de não ser atendidos. ‘‘Se o Banestado não acelerar a liberação dos recursos, o dinheiro do Pronaf poderá se esgotar’’, comenta.
Gutierrez afirma que muitos produtores que apresentaram projetos no primeiro semestre até agora não foram atendidos. ‘‘Alguns registraram projetos de investimentos em cartório, assumiram compromissos e até agora não receberam o dinheiro’’, comenta. O coordenador Técnico e Econômico da Fetaep estima que no Paraná a demanda por recursos do Pronaf/Investimentos é de cerca de 50 mil projetos. Ele observa que os produtores já falam em fechar agências do Banestado no interior.
O Pronaf conta com duas linhas de crédito, uma para custeio e outra para investimento, e atende produtores com até quatro módulos rurais. Na linha de custeio o produtor pode solicitar até R$ 5 mil, com juros de 6,5% ao ano. Já no Pronaf/Investimento, o limite é de R$ 15 mil, com juros de 6% ao ano mais 50% TJLP, com oito anos para pagamento, mais dois de carência.
O diretor de Crédito Rural do Banestado, Paulo Janino, foi procurado ontem, por telefone, pela reportagem da Folha e não pode atender, alegando que a Assessoria de Imprensa do Banestado deveria ser acionada. A reportagem conversou com a assessora de imprensa, Dulce, que ficou de retornar a ligação.

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