A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep) acusa as agências do Banco do Brasil de cortar o crédito para os pequenos produtores que estão indo às agências solicitar os recursos do Pronafinho. Ocorre que o limite dessa linha de crédito para o custeio é de R$ 2 mil e as agências estão oferecendo em torno de 50% desse valor para os produtores que já financiaram a safra no ano passado com o limite máximo. ‘‘Com isso, há um sério risco de se comprometer a produtividade das lavouras da agricultura familiar’’, afirmou o assessor econômico da entidade, Sergio Gutierrez.
A Superintendência do Banco do Brasil informou à Folha que não tem conhecimento que algumas agências estejam restringindo o crédito para os pequenos produtores. ‘‘Não é essa a orientação da Superintendência’’, afirmou o diretor de Agronegócios Gueitiro Matsuo Genso. Ele garantiu que a orientação é que o crédito seja liberado no limite da linha de crédito e qualquer resistência no cumprimento à essa medida deve ser comunicado à direção do BB.
Para Genso, a portaria do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) saiu recentemente e é normal ‘‘algumas dificuldades operacionais’’. Ele informou que as agências já têm disponíveis R$ 61,5 milhões, que correspondem ao volume liberado no ano passado. Mas a expectativa é que haja uma suplementação para atender à demanda de novos financiamentos que somam R$ 110 milhões. Segundo Genso, esse volume de recursos já está sendo equalizado para que os empréstimos sejam feitos com juros fixos de 4%.
Gutierrez sustenta sua denúncia e disse que recebeu muitas reclamações dos sindicatos de Perobal, Bituruna, Lapa, Borrasópolis, Engenheiro Beltrão, Irati, Ubiratã, Medianeira e Marquinho. Segundo ele, o problema do produtor receber pouco dinheiro reflete na baixa aplicação de tecnologia e ainda sérios problemas com o Proagro, que penaliza quem não faz os tratos culturais recomendados pela pesquisa.
‘‘De que adianta o governo baixar o juros de 5,75% para 4%, se agora o BB recusa parte do crédito’’, dispara. A Fetaep não descarta a possibilidade de fechamento de agências, novamente caso o limite dos financiamentos aos pequenos produtores não sejam atendidos, frisou Gutierrez.
A Fetaep alerta o produtor que não antecipe o plantio, enquanto a agência não liberar efetivamente o dinheiro do Pronafinho. Segundo Gutierrez, é comum o gerente do banco garantir que o produtor pode ir plantando que o dinheiro sai em poucos dias. ‘‘Se houver qualquer ocorrência climática, e o dinheiro do financiamento ainda não saiu o produtor não será indenizado pelo Proagro’’, avisa Gutierrez.
Ele criticou ainda o limite de adiantamento para as culturas, que está inferior aos limites mínimos para o plantio, levantados pela Emater. Citou como exemplo no município de Paula Freitas, região Sul do Estado. Para o feijão, o banco libera um adiantamento no limite de R$ 280,00 por hectare, enquanto o levantamento da Emater aponta que são necessários R$ 627,00 para financiar o custeio de um hectare. O limite do milho, segundo cálculo da Emater deveria ser de R$ 629,00 o hectare, enquanto o BB libera no máximo R$ 300,00 por hectare. E no caso da soja, o BB libera R$ 300,00 por hectare, enquanto o levantamento da Emater aponta que seriam necessários R$ 583,00 por hectare.

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