Festival de ofertas requer cuidado
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segunda-feira, 09 de novembro de 1998
Agência Estado 
Descontos nos preços, supervalorização do carro usado, sistema troca com troco, taxas de juros mais em conta. O festival de promoções, temperado com o fato de que boa parte dos consumidores estará recebendo a primeira parcela do 13º salário até 30 de novembro, pode levar muita gente a concluir que esse é o momento ideal para comprar o carro. Mas a análise não pode basear-se apenas nesses dados, segundo Marcos Silvestre, economista-chefe da Forex, empresa especializada em orientação de finanças pessoais.
Antes de fechar o negócio, deve-se avaliar não apenas a atual disponibilidade financeira, mas também como deve ficar a economia do País nos próximos meses. Até porque o consumidor terá de apertar ainda mais o cinto em razão do ajuste fiscal anunciado pelo governo. Em situações de crise, Silvestre diz que se deve evitar assumir dívida. Por isso, só recomenda a compra de carro se for à vista e, mesmo assim, apenas se o consumidor tiver dinheiro em caixa suficiente para sustentar-se, caso sua renda encolha em virtude de reduções salariais ou mesmo de demissão.
Quem tem dívida deve preferir quitá-la a comprar carro. Ele lembra que as altas taxas de juros elevaram demais o custo das compras parceladas. Quem adiar o pagamento total da dívida por um prazo muito longo pode perder o controle sobre a situação e tornar-se inadimplente. Para os consumidores que não têm débitos a pagar, a orientação é que ele opte por depositar o 13º salário no mercado financeiro.
Silvestre observa ainda que o consumidor que aplicar o dinheiro do 13º salário no mercado financeiro vai ter ganhos expressivos, em razão dos juros altos. Em contrapartida, a tendência é que, mais para a frente, o carro fique mais barato em consequência da crise econômica.Conclusão: mais adiante esse consumidor terá mais dinheiro em caixa e ainda poderá comprar um carro com preço mais baixo e embolsar a diferença. Mas, para beneficiar-se dessa situação, o consumidor deve ficar de olho no comportamento dos juros e também no preço dos carros no mercado.
Para quem, mesmo diante da crise, decidir-se pela compra parcelada, a dica de Silvestre é que acompanhe de perto o mercado e tente tirar algum proveito da situação. Segundo ele, a recessão deve reduzir a demanda, o que pode impedir as empresas de repassar para o preço final a provável elevação de seus custos.


