A pernambucana Caruaru, no agreste pernambucano, espera cerca de 2,5 milhões de pessoas neste ano
A pernambucana Caruaru, no agreste pernambucano, espera cerca de 2,5 milhões de pessoas neste ano | Foto: Sumaia Vilela

Manda a tradição que o mês de junho seja marcado em várias cidades do País pelos festejos juninos, especialmente nas cidades nordestinas. Para este ano, o Ministério do Turismo tem no Calendário Nacional de Eventos 103 eventos já cadastrados em 15 estados, número que pode crescer até 37% até o fim deste mês. Para a temporada junina, o Ministério do Turismo já confirmou investimentos na ordem de R$ 4 milhões. Mas isso é apenas uma pequena parcela de quanto movimenta esse negócio. Somente em Campina Grande (PB), que promove uma das maiores festas do País, se espera um público de 3 milhões de visitantes, com injeção de quase R$ 300 milhões na economia local e geração de 3 mil empregos diretos e indiretos na região.

Em público, a pernambucana Caruaru, no agreste pernambucano, espera cerca de 2,5 milhões de pessoas, com uma estimativa de faturamento regional na casa dos R$ 240 milhões. Ainda no Nordeste, a Cidade Junina de Mossoró (RN) pretende receber 1 milhão de pessoas, uma média de 100 mil visitantes por noite, em uma das festas mais tradicionais do gênero no País. O resultado será uma movimentação econômica de mais de R$ 50 milhões com geração de empregos para costureiras, bordadeiras e no comércio local. Já em São Luís (MA), o Bumba meu Boi, patrimônio imaterial brasileiro, terá este ano cerca de 50 mil pessoas acompanhando as apresentações que contam com mais de 500 grupos folclóricos.

Segundo a secretária de Desenvolvimento Econômico de Campina Grande, Rosália Lucas, neste ano a festa contará com o maior pré São João da história, com 80 eventos em restaurantes, bares e shoppings de atrações locais e nacionais. Além disso, ela conta que três novas redes de hotéis já foram inauguradas na região com previsão de ocupação máxima. Com 31 dias de duração e cerca de 5 mil artistas nacionais e locais em 1.800 atrações culturais, a festa completa 37 anos. O aumento do fluxo de turistas, em junho e julho, movimenta o comércio e gera empregos antes, durante e depois das comemorações.

JOÃO PESSOA

Segundo o secretário municipal de Turismo de João Pessoa, Fernando Paulo Pessoa Milanez, o trabalho desenvolvido é para que o festejo junino da cidade tenha seu valor turístico reconhecido, tanto no Brasil como no mundo. “Trata-se de uma manifestação cultural extremamente rica, que tem enorme potencial para se transformar em um produto turístico tão importante quanto o Carnaval”, enfatiza o secretário. Ele ainda ressalta que o São João da Paraíba não se resume apenas a Campina Grande. “Aqui a celebração ocorre em quase todos os bairros. É uma festa com grandeza comprovada na diversidade e originalidade de suas atrações artísticas, como também na sua rentabilidade econômica, fluxo turístico e, primordialmente, na participação popular”, afirma.

No Maranhão, as festas juninas espalhadas pelo estado geram movimentação econômica de R$ 60 milhões, sendo R$ 20 milhões apenas no São João de Todos, de São Luís. Lá o Bumba meu boi, patrimônio imaterial brasileiro, reina absoluto e produz uma das festas juninas mais singulares do País. No ano passado, cerca de 50 mil pessoas, entre residentes e turistas, participaram das apresentações nos diversos palcos e nas ruas da capital maranhense, que conta com mais de 500 grupos folclóricos. O resultado foi uma movimentação econômica de R$ 25,8 milhões. Os festejos juninos realizados nos municípios cearenses passaram desde 2017 a ser considerados patrimônios de destacada relevância histórico-cultural do Estado.

BAHIA, PARINTINS E SÃO PAULO

Na Bahia, São João é mais comemorado do que o Natal. Ao todo, mais de 160 cidades, distribuídas por diferentes zonas, recebem o apoio do governo estadual. A capital do Carnaval, Salvador, também não deixa a desejar na época de São João. Outros municípios baianos também participam do circuito “São João na Bahia”, como São Francisco do Conde e Amargosa. A Festa Junina de Salvador conta com mais de 100 shows que acontecem no Pelourinho e no Subúrbio Ferroviário, onde a cidade toda é tomada pelas comemorações.

No Norte do país, destaque para o Festival de Parintins no Amazonas. Conhecido nacionalmente pelas disputas entre os bois Caprichoso e Garantido, o Festival Folclórico de Parintins recebeu 70 mil turistas e gerou cerca de 4,5 mil empregos diretos e indiretos, injetando R$ 100 milhões na economia local, segundo a Amazonastur.

Na região Sudeste, São Paulo e Minas Gerais se destacam neste segmento. Em 2018, a capital mineira reuniu mais de 200 mil pessoas com impacto de R$ 2,74 milhões na economia da capital. Segundo ressaltou a Belotur, o gasto médio diário na Praça da Estação cresceu 27%. Na capital paulista e na Grande São Paulo, uma série de eventos relacionados às festas juninas, originalmente dedicadas a Santo Antônio, São João e São Pedro se transformaram em opções de entretenimento e até de oportunidade de negócios. Pelas projeções da Associação Paulista de Supermercados (Apas), essas comemorações populares deverão gerar um crescimento entre 10% e 15% nas vendas.

Segundo o ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio, o forte envolvimento das populações locais nas festas juninas impulsionam o turismo regional. “Estes eventos são importantes indutores do turismo nacional e atraem visitantes de todo o Brasil e do mundo que desejam conhecer a diversidade cultural que o País tem a oferecer. É um produto turístico que tem a cara do Brasil e está em franco processo de estruturação e consolidação”, destaca.

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