O aumento no custo dos fertilizantes nesta safra elevou os custos de produção agrícola no Paraná. Segundo levantamento da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), os preços destes produtos tiveram aumento de cerca de 30% no varejo estadual. A alta de preços ocorreu, principalmente, devido ao aumento do custo da matéria-prima no mercado internacional e ao reajuste do frete marítimo. Com os novos preços, os custos totais de produção (incluindo gastos com mão-de-obra) da soja e do milho - as duas principais culturas da safra de verão - subiram 7,6% e 12,5%, respectivamente.
Nesta safra, o custo total de produção da oleaginosa está estimado em R$ 32,30 a saca de 60 quilos, enquanto que no plantio anterior os sojicultores tiveram que gastar R$ 30 por saca. Já o custo da saca de milho nesta safra é de R$ 17,90, enquanto no ano passado foi de R$ 15,90 (veja quadro). ''Esse aumento de preços ocorreu devido à crescente demanda nos mercados interno e externo. Além disso, 60% da matéria-prima usada na fabricação de fertilizantes no Brasil são importados e que tiveram seus preços reajustados em dólar'', explica Flávio Turra, gerente Técnico e Econômico da Ocepar.
Segundo ele, os preços do NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) subiram cerca de 50% no mercado internacional. A depreciação do dólar não fez os preços dos produtos caírem, mas contribuiu para evitar mais altas. A cotação da moeda americana caiu cerca de 18% nesta safra, na comparação com o plantio anterior. ''O dólar minimizou os aumentos de preços no Brasil'', acrescenta Turra. Para completar o cenário os preços dos fretes marítimos também subiram. ''A expectativa dos bons preços das commodities fez os agricultores retomarem o uso dos fertilizantes'', diz Turra.
O aumento da demanda por fertilizantes ocorreu, principalmente, nos Estados Unidos devido ao aumento da área plantada de milho. ''A corrida pelo etanol aumentou o plantio de milho e o grão exige um maior uso de fertilizantes do que a soja, por exemplo'', explica o gerente da Ocepar. O economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Jesrey Kleine Alders, lembra que as altas mais expressivas dos preços dos fertilizantes ocorreram em abril e maio. ''Mesmo com a redução que ocorreu depois, os preços não voltaram ao patamar antigo'', informa.
Na sua avaliação, no entanto, os produtores terão que arcar com os aumentos do custos de produção. ''Os agricultores estão sem margem de manobra porque não podem deixar de usar os fertilizantes. Isso pode acarretar em problemas de produtividade'', comenta. Neste ano, o faturamento líquido da cadeia de fertilizantes deverá chegar a R$ 17 bilhões, cerca de 41% mais do que o registrado no ano passado. O aumento do volume ocorreu porque o setor bateu recorde de vendas com a comercialização de 24,5 milhões de toneladas.

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