Os pesquisadores têm tentado conscientizar os produtores, desde o ano passado, sobre a importância de monitorar as lavouras de soja em busca de sinais da ferrugem asiática e fazer o controle imediato, a fim de evitar perdas em produtividade. Mesmo com todo o esforço a doença avança na velocidade do vento, destaca a pesquisadora da Embrapa Soja, de Londrina, Cláudia Godoy.
A ferrugem asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, que provoca desfolha precoce da soja e reduz o peso do grão. A doença é disseminada pelo vento e não pela semente. Segundo Cláudia, só um monitoramento diário, para detectar a presença do fungo, pode impedir prejuízos nas lavouras. A ferrugem, quando não controlada, pode reduzir em até 70% a produtividade da soja.
Na safra passada, o foco mais importante no Brasil foi encontrado na Bahia, onde houve quebra de 25% da safra, com redução de 510 mil toneladas. Mas o Paraná, assim como outros Estados também teve registros. Este ano, no Paraná, o clima tem favorecido o avanço do fungo e pesquisadores e técnicos têm se mobilizado para que agricultores façam o monitoramento e apliquem o controle químico, única saída para evitar prejuízos.
Nenhuma variedade plantada hoje no País é resistente. Observada no Brasil pela primeira vez no final da safra 2000/2001, a ferrugem asiática disseminou de poucos focos iniciais para quase a totalidade das lavouras de soja cultivadas em território nacional. Além do Paraná e da Bahia, o problema está registrado hoje no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Manaus, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Tocantins.
No Paraná há registro em todas as regiões, com maior preocupação no Norte do Estado, em função das condições climáticas desde o início do cultivo da soja em novembro do ano passado. Em dezembro foram encontrados focos da doença, sendo a maioria com baixo índice de lesão.
As notificiações sobre a presença da ferrugem têm sido feita quase que diariamente a partir de relatos de técnicos e produtores. Na última sexta-feira, por exemplo, foram detectados focos em alguns municípios como Santa Cecília do Pavão, Santo Antônio do Paraíso, Assaí, São Sebastião da Amoreira e Tamarana. ''Quando detectado o problema a tempo o controle químico tem sido eficaz,'' garante Cláudia Godoy.
Em Londrina os primeiros focos foram registrados em dezembro. Por enquanto, segundo Cláudia, a doença tem atingido a soja que está florescendo. A soja no estágio granando, em outras regiões do Estado, ainda está escapando, mas nem por isso o produtor deve descuidar do monitoramento. ''Quanto mais tardio o diagnóstico, maior o prejuízo''.
Embora pesquisadores e técnicos estejam alertando sobre o problema, muitos agricultores, segundo Cláudia, ainda custam se convencer da gravidade da praga. ''A não ser depois que começam a aparecer os primeiros sinais de perdas. Hoje na Bahia todos estão fazendo o monitoramente e controle,'' garante a pesquisadora. O susto da safra passada, segundo ela, forçou a uma maior conscientização.
O Paraná é o segundo produtor de soja do País. Estimativas da Secretaria de Agricultura do Estado indicam para a safra 2003/2004 3,8 milhões de hectares cultivados com produção estimada em 11,6 milhões de toneladas.

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