O aparecimento da ferrugem asiática em lavouras da chamada safrinha de soja (produzida principalmente no inverno) ameaça também a safra de verão que começa a ser cultivada em outubro no País. O alerta é da pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja. Na safra 2003/2004, a doença causou prejuízos de R$ 2,3 bilhões aos produtores brasileiros, com perda de 4,5 milhões de toneladas da mercadoria.
Como o fungo causador da doença só sobrevive nas plantas vivas, a safrinha funciona como uma ''ponte verde'' para a proliferação da ferrugem nas lavouras de verão. ''Apesar de inexpressivo, o plantio da safrinha compromete a safra principal'', disse ela, acrescentando que a orientação da pesquisa é que os produtores não adotem essa prática.
Preocupada com a disseminação da doença, a Embrapa vai encaminhar ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) um documento que pede o estabelecimento de regras para disciplinar o plantio da safrinha de soja. Entre as principais recomendações, Cláudia cita a necessidade de aplicar fungicidas para controlar a ferrugem. Além disso, produtores devem evitar a rebrota de sementes perdidas durante a colheita, chamadas de soqueiras.
A safrinha representa entre 1% e 2% da produção brasileira de soja. Na safra passada, o País colheu 49,7 milhões de toneladas da oleaginosa, segundo estimativa da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). A pesquisadora comentou que o plantio da soja no inverno não é comum no Paraná. O fato, porém, não ameniza os riscos da ferrugem. ''Como São Paulo tem safrinha, os esporos podem chegar às lavouras paranaenses''.
Na Cooperativa Integrada, em Londrina, a orientação dos técnicos é que os produtores não façam o plantio da safrinha. ''Não há crédito para a cultura, o custo é alto e a produtividade é baixa'', explicou Irineu Baptista, gerente técnico da cooperativa.
Ele comentou que o plantio repetido na área é extremamente danoso. ''O ideal é fazer planejamento a longo prazo para viabilizar a rotação de culturas na propriedade'', disse, lembrando que o processo deve ser orientado por um engenheiro agrônomo.
A rotação ideal, segundo ele, deve evitar a repetição de culturas até mesmo em duas safras de verão consecutivas. A prática é mais complicada porque pode interferir nos resultados econômicos da propriedade. ''Por isso a importância de planejar antecipadamente'', orientou o técnico.

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