Ferrugem deve provocar perdas de US$ 2,7 bi
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quarta-feira, 07 de junho de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A ferrugem da soja deve provocar perdas nas lavouras de cerca de US$ 2,7 bilhões nesta safra. A estimativa não é oficial e foi calculada pelo pesquisador da Embrapa José Tadashi Yorinori com base nas perdas nos grãos, custo de controle e redução na arrecadação. A previsão oficial, estimada em abril, projetava perdas de US$ 1,75 bilhão. Considerando as últimas safras, as perdas somam 12,4 milhões de toneladas de grãos que totalizam US$ 7,7 bilhões. Os dados foram apresentados ontem durante o 4º Congresso Brasileiro de Soja.
''O mais importante de tudo é que não é só o sojicultor que está perdendo, mas quanto isso representa para toda a comunidade'', disse Yorinori. Embora seja uma doença antiga, a ferrugem asiática chegou ao Brasil em 2001 pelo Paraná, provavelmente, trazida pelo vento. Foi o suficiente para se espalhar pelo restante do País, mais precisamente pelas regiões Centroeste e Norte que apresentam condições climáticas mais favoráveis. Por isso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) já propôs aos Estados a implantação de um período de vazio sanitário, que deverá ocorrer entre julho e setembro. A decisão vai atingir somente o Centroeste e Norte que plantam safrinha de soja.
''Hoje todas as variedades de soja são suscetíveis à ferrugem. Há pesquisas em desenvolvimento com variedades mais resistentes naturalmente à doença, mas não há prazo para que essas novas espécies sejam introduzidas no mercado'', afirmou o pesquisador Carlos Alberto Arias. Além disso, variedades com ciclo mais precoce também estão sendo mais utilizadas o que ainda não dispensa o uso de insumos. Por isso, segundo Tadashi, o plantio de transgênicos é importante. ''São variedades com folhas mais abertas, sem ramos que facilita a aplicação de fungicidas'', comentou.
Vazio sanitário - O Mapa editou uma normativa com instruções aos Estados para proibir o plantio de soja entre 1º de julho e 30 de setembro. A medida tem por objetivo inibir a ocorrência da ferrugem asiática em lavouras irrigadas. Goiás e Mato Grosso já proibiram o plantio. Já o Estado de Tocatins não vai aderir ao projeto por questões comerciais, uma vez que neste período os agricultores investem na produção de sementes, um negócio mais rentável do que as lavouras de soja.
Amanhã, o Mapa também deverá discutir uma linha de crédito aos sojicultores específica para o controle da ferrugem. Deverá ser uma nova linha de financiamento com taxa de juros de 8,75% por ano. Neste ano, o Ministério já destinou uma verba-extra para o controle da doença somente para produtores da Região Centroeste. No entanto, André Peralta, fiscal federal agropecuário do Departamento de Sanidade Vegetal do Mapa, reconheceu que os recursos foram insuficientes.


