São Paulo - O fungo da ferrugem asiática, que atacou com maior intensidade as lavouras de soja no início deste ano, foi o principal responsável por um salto de 90% das vendas no Brasil de defensivos da empresa alemã Bayer CropScience nos primeiros seis meses de 2004, em comparação com o primeiro semestre de 2003.
A receita líquida com a venda de defensivos na primeiro semestre, em torno de US$ 247 milhões, representará 40% do resultado anual, enquanto em anos anteriores os seis primeiros meses representavam 30% do desempenho. O diretor de Marketing Estratégico da Bayer CropScience, Peter Ahlgrimm, ressalta que as vendas de defensivos usados na lavoura de algodão também contribuíram para o bom resultado.
As vendas de defensivos para soja e algodão neste segundo semestre deverão crescer 5% em relação a igual período de 2003, prevê o diretor. ''Nesse momento, é difícil fazer uma estimativa mais próxima da realidade, porque os agricultores estão pensando no que vão plantar'', ressalta Peter Ahlgrimm. Segundo ele, porém, os agricultores poderão antecipar compras de fungicidas contra ferrugem na soja, evitando a falta de produto como ocorreu no início deste ano.
Ahlgrimm ressalta que a área de soja deverá crescer 5% para a safra 2004/2005, que será cultivada neste semestre. ''Isso, apesar das oscilações de preços, que podem levar ao aumento do cultivo do milho, em detrimento da soja'', avalia o executivo da Bayer CropScience, líder brasileira na área de defensivos agrícolas seguida por Syngenta e Basf.
De acordo com Ahlgrimm, a companhia mantém as previsões de crescimento de até 20% sobre a receita líquida de US$ 525 milhões de 2003, devendo atingir US$ 630 milhões em suas operações no Brasil. Segundo ele, os fungicidas deverão participar com até 40%, contra 35% em 2003. Os inseticidas ficarão com uma fatia de 30%, os herbicidas com até 25%, os acaricidas com 3%, e os desfolhantes e reguladores de crescimento para algodão serão responsáveis por 4% a 5% do desempenho líquido, prevê o diretor.
A projeção para 2004 da Bayer CropScience nas suas vendas no Brasil de defensivos químicos é de um aumento de 10% a 15%, bem superior à estimativa do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag), na casa dos 8%.
O executivo da Bayer estima que, no primeiro semestre, as vendas da indústria química de defensivos cresceram 50%, em comparação ao resultado de igual período de 2003. Este ano, a receita foi alavancada principalmente pelas vendas de fungicidas e inseticidas.
No ano passado, a receita líquida mundial da Bayer CropScience foi de US$ 6,5 bilhões, sendo US$ 5,5 bilhões por conta de defensivos e os demais US$ 1 bilhão por conta de sementes convencionais e transgênicas, além de raticidas e produtos para jardinagem, que se enquadram em ciências ambientais.

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