Curitiba - O Departamento para Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou a incidência da ferrugem da soja numa lavoura próxima à fazenda experimental de Louisiana State University. É a primeira vez que a doença, temida pelos produtores norte-americanos, é detectada naquele País fora de laboratórios. No Brasil, país concorrente, a notícia animou os produtores que acreditam que no médio prazo poderão recuperar competitividade perdida para a soja norte-americana.
Este ano, a ferrugem da soja já foi detectada em quatro estados brasileiros produtores do grão - Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás. A doença elevou o gasto dos produtores brasileiros com fungicidas, sendo em parte esse um dos fatores de aumento dos custos de produção da soja, disse Flávio Turra, assessor técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Segundo Turra, estima-se que os gastos para controle da ferrugem da soja seja o equivalente ao custo de três sacos da oleaginosa, por hectare, o que é elevado para o produtor. Um estudo divulgado pela Embrapa, em abril, mostrou que o Brasil perdeu 4,5 milhões de toneladas de soja na safra 2003/2004 por causa da doença. Somados aos gastos com agrotóxicos, os prejuízos já teriam chegado a US$ 2 bilhões.
Os técnicos americanos acreditam que a chegada do fungo aos Estados Unidos esteja relacionada à temporada de intensa atividade de furacões. A suspeita é que a doença tenha vindo da América do Sul porque a ferrugem da soja se espalha, basicamente, através de esporos capazes de viajar longas distâncias com os ventos.
De acordo com Turra, os produtores norte-americanos não estão acostumados a conviver com pragas e doenças, daí a preocupação constante com o aumento do custos de produção deles. Turra acredita que pode haver redução na área plantada se os norte-americanos tiverem dificuldades de adaptação com a aplicação de fungicidas.
Segundo a economista da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Gilda Borges, a incidência da ferrugem da soja está na nona colocação no ranking de preocupações dos produtores de soja dos Estados Unidos.
Turra acredita que a médio e longo prazo, a incidência da ferrugem da soja vai provocar aumento nas cotações internacionais. Ele justifica que os preços da soja no mundo são formados na Bolsa de Chicago, em função dos EUA serem o maior produtor do grão do mundo. Daí, com a elevação dos custos de produção ou redução de área plantada, certamente a cotação no mercado externo também deve se elevar, acredita.

mockup