Curitiba– O trecho da Ferroeste de 250 km (Cascavel a Guarapuava) é administrado pela concessionária Ferropar e, por isso, não faz parte da concessão da ALL. O trecho entre Guarapuava e Irati foi construído na década de 40 e o de Irati a Ponta Grossa na década de 20. Estes trechos têm rampas íngrimes e curvas mais fechadas. Devido ao fato de estes locais serem de construção mais antiga e pelas características geográficas do local os trens precisam ser fracionados para passarem na região. Isso aumenta o custo operacional.
  Segundo o consultor de logística, ex-superintendente da RFFSA e engenheiro mecânico, Saulo de Tarso Pereira, a ALL quer construir uma ferrovia entre Guarapuava e Ipiranga com 130 km e que custaria R$ 600 milhões com investimentos da Participação Público Privada (PPP) e abandonar os trechos Guarapuava-Irati e Irati-Desvio Ribas. A ALL esclareceu que esta informação não procede. De acordo com ele, a construção de uma ferrovia entre Guarapuava e Paranaguá com 445 km atravessaria o Estado e custaria R$ 900 milhões.
  Ainda de acordo com Pereira, as ferrovias ainda são insuficientes para atender a demanda. Hoje, apenas 8% das cargas gerais são transportadas por ferrovias no Brasil e 71,3% por rodovias. Na época da RFFSA, a participação das ferrovias nas cargas que chegavam ao Porto de Paranaguá era de 48%, porcentual que caiu para 28% em 2005.

  Investimentos – O gerente financeiro da ALL, Carlos Augusto Moreira, disse que os R$ 500 milhões que a empresa anunciou serão aplicados na recuperação do material rodante e de via permanente da Brasil Ferrovias e da Novoeste.
  Ao fazer esta aquisição, a ALL adquiriu um grupo que fechou 2005 no vermelho e pretende obter linhas de financiamento no BNDES para resolver esta situação. Apesar do endividamento da Brasil Ferrovias, a ALL ‘‘vê a compra como um negócio com potencial de crescimento e alta rentabilidade‘‘. ‘‘Com mais malha ferroviária, a ALL vai ganhar em escala‘‘, disse.
  De acordo com dados da ALL, sem os financiamentos que o BNDES ofereceu desde a privatização da malha Sul não seria possível a expansão da empresa. (A.B.)

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