Ferrovias podem receber R$ 71 bi até 2014
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sábado, 19 de setembro de 2009
Renée Pereira<br> Agência Estado 
São Paulo - Uma nova onda de investimentos promete devolver o fôlego do transporte ferroviário brasileiro nos próximos cinco anos. Entre projetos de metrôs, veículos leves sobre trilhos (VLT), ferrovias de carga e trens urbanos, o País deverá receber R$ 71 bilhões até 2014. O valor é 270% superior aos recursos aplicados entre 2004 e 2008, segundo levantamento feito pelos organizadores do evento Negócios nos Trilhos. Parte dos recursos sairá dos cofres dos governos federal e estadual. Outra parcela será bancada pela iniciativa privada.
O movimento brasileiro - guardado às devidas proporções - segue uma aposta mundial de reerguer o setor ferroviário. Nos últimos meses, para amenizar os efeitos da crise financeira e criar novos postos de trabalho, países, como Estados Unidos, China, Índia e algumas nações da Europa, lançaram pacotes bilionários para ampliar o transporte sobre trilhos - seja de carga ou de passageiros.
No Brasil, os investimentos atuais tentam recuperar os tempos áureos da década de 50, quando a malha ferroviária chegou aos 37 mil quilômetros de trilhos. De lá pra cá, ao invés de crescer, a extensão diminuiu por causa de uma série de medidas consideradas equivocadas pelos especialistas, como o foco no transporte rodoviário. Hoje são apenas 29 mil km de ferrovias.
Mas, se todos os empreendimentos projetados saírem do papel, esse número subiria para 35 mil km, em 2015 - ainda abaixo do verificado na década de 50. Segundo o diretor da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça, o plano do governo é alcançar 52 mil km de estrada de ferro até 2030 - o ideal para cobrir todo o território nacional.
Dos R$ 71 bilhões previstos para os próximos cinco anos, R$ 25 bilhões vão para a expansão do transporte de carga, explica o diretor do Negócios nos Trilhos, Gerson Toller-Gomes. Os investimentos incluem a conclusão das ferrovias Norte-Sul, Nova Transnordestina, Litorânea Sul e Oeste-Leste, além da expansão de Carajás, Vitória-Minas e Ferronorte.
Dois desses empreendimentos estão sob responsabilidade da estatal Valec. No caso da Norte-Sul, o mais avançado de todos os projetos com 215 km em operação, o trecho até Palmas terá de ser concluído até dezembro do ano que vem. Essa é uma das exigências do contrato assinado com a Vale, vencedora do leilão de subconcessão, em 2007. A construção da ferrovia, lançada no governo Sarney, em 1986, está sendo feita pela Valec com o dinheiro obtido nessa disputa.
Outros leilões deverão ocorrer nos demais trechos a serem construídos. Mas, assim como boa parte dos projetos de infraestrutura no Brasil, algumas áreas estão paralisadas por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU). Outra aposta do governo é a Ferrovia da Integração Oeste-Leste, que vai ligar o Oeste da Bahia até o litoral, num percurso de 1.500 km.
No total, serão necessários investimentos de R$ 6 bilhões. Mas, nem todo esse montante foi considerado no levantamento do Negócios nos Trilhos, já que eles não acreditam que o empreendimento fique pronto até 2014. A ponderação tem motivo de ser, diante da dificuldade para concluir um projeto no País.
O término da Nova Transnordestina, por exemplo, estava previsto para o ano que vem. Mas, diante de uma série de entraves financeiros e de problemas na desapropriação das áreas, a construção está a passos de tartaruga. Aparentemente, as pendências foram resolvidas, o que alimenta a esperança de que agora a obra - de R$ 5,4 bilhões e que está sendo tocada pela CSN - seja acelerada.
Outro projeto privado é a expansão da Ferronorte, da América Latina Logística. Segundo o presidente da empresa, Bernardo Hees, serão investidos R$ 700 milhões para construir 250 km de ferrovia, entre Rondonópolis e Alta Araguaia, em Mato Grosso. Além disso, a empresa tem um projeto com a Cosan para elevar a quantidade de açúcar transportado até o Porto de Santos por via férrea. ''Tudo isso vai elevar nossa capacidade de transporte nos próximos cinco anos.''
Entre os projetos para transporte de passageiros, a grande aposta do governo é o Trem de Alta Velocidade (TAV), entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. O empreendimento, de R$ 34 bilhões, está previsto para entrar em operação até a Copa de 2014. Comissão de vários países tem desembarcado no Brasil para conferir os detalhes do projeto. Há ainda a possibilidade de o governo lançar um TAV ligando Brasília à Goiânia. A construção da linha seria bancada por recursos federais em parceria com os governos de Goiás e do Distrito Federal.
No transporte urbano, uma alternativa que caiu no gosto dos governos municipais e estaduais é o VLT. Trata-se de um metrô leve com capacidade para 400 pessoas e com um custo que representa 1/3 do metrô tradicional. ''Esse é o momento de focar o VLT. Ele é mais barato e mais rápido de ser construído'', afirma o secretário de Estado dos transportes metropolitanos de São Paulo.
Segundo ele, a capital terá três VLTs construídos pelo governo: Expresso Tiradentes, Congonhas-São Judas e Vila Nova Cachoeirinha-Lapa. O secretário destaca ainda que, além das expansões do metrô em andamento, a ampliação da frota paulista, com a compra de novas composições e reforma de unidades antigas, trará maior comodidade aos passageiros. Além da cidade de São Paulo, Santos, Brasília, Recife, Fortaleza e Cariri também aderiram à moda do VLT.
Para o professor da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende, os recursos previstos para os próximos cinco anos, são de extrema importância para a economia e bem estar social da população brasileira. Mas, na avaliação dele, o País precisa acelerar ainda mais os investimentos no setor. No caso do transporte de cargas, a ampliação da malha ferroviária está diretamente ligada à melhoria de competitividade do produto nacional. ''Os R$ 70 bilhões serve apenas para dar o pontapé inicial. Temos de aproveitar este momento de euforia no mundo com o setor e atrair o investidor estrangeiro.''


