Ferrovias do PR terão R$ 30 bi do PAC
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de janeiro de 2010
Agência Brasil 
As ferrovias do Paraná poderão receber R$ 30 bilhões do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Os recursos são destinados às obras de interligação de Maracajú (MS) a Cascavel (Região Oeste) e de Guarapuava (Região Centro-Sul) ao Porto de Paranaguá. Cascavel e Guarapuava já estão interligados pela Ferroeste. Além disso, o Estado receberá outras obras de melhorias em trechos por onde passa a ferrovia Norte-Sul, que liga o interior paulista ao Rio Grande do Sul. As obras deverão ser executadas pelo Exército, como já foi feito no trecho de ferrovias paranaenses. Até 1991, o Exército ajudou a estatal a tocar suas obras, que foram paralisadas entre 1997 e 2006.
O assunto foi discutido ontem pelo presidente da Ferroeste, Samuel Gomes, que participou ontem de duas reuniões visando a avançar no processo de interligação da Ferrovia Norte-Sul com o Sul do País. O governo federal assimilou a reivindicação dos Estados e pretende estender os trilhos de bitola larga à Região Sul, seus portos e regiões produtivas. Para isso, é preciso definir com o Ministério dos Transportes os parâmetros para ligar o corredor ferroviário da Norte-Sul com o Sul do país, disse Gomes. Segundo ele, essas conexões permitirão reduzir significativamente os custos dos transporte de carga no país.
''O melhor é que seremos imbatíveis em termos de custos para o transporte de cargas, porque temos meta diferente da iniciativa privada: apresentar o frete mais barato possível'', acrescentou Gomes, após criticar os monopólios privados e a política de privatização do setor ferroviário. A Ferroeste está fazendo estudos e levantamentos para ampliar em mais 1,3 mil quilômetros sua malha, incluindo o trecho que liga a região central do Paraná, próximo a Guarapuava, à região de Chapecó, em Santa Catarina; e, ainda, entre Cascavel e Foz do Iguaçu. Ligando Cascavel a Foz do Iguaçu, estaremos ligando o Paraguai ao Porto de Paranaguá, explicou Gomes.
Com as ampliações da Ferroeste, a estatal passará a se chamar Ferrosul. Do pé dos Andes para baixo, todo o trecho será área de influência da Ferrosul. ''Pegaremos as cargas das regiões mais produtivas do Paraná, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e de Mato Grosso do Sul, e as cargas transportadas na Hidrovia do Rio Paraná. Tudo estará interligado aos portos do Sul, como Itajaí (SC) e Rio Grande (RS), além de Paranaguá'', prevê Gomes.
A Ferrosul pretende ainda ligar as ferrovias brasileiras a todo o Paraguai, por Porto Murtinho (MS); à região de Santa Cruz, que é a mais produtiva da Bolívia; e ao Norte e Nordeste da Argentina. Os bolivianos ficam restritos a usar o Porto de Ápica, do Chile, para escoar sua produção. Ou seja, precisam cortar a Cordilheira dos Andes, que é um grande acidente geográfico, argumenta.
A Ferroeste estima que, com a expansão da malha e a adaptação de alguns trechos para a bitola larga, transportará de 40 milhões a 50 milhões de toneladas de carga por ano, a partir de 2013. A velocidade prevista para as locomotivas é de 80 a 90 quilômetros, para o transporte de cargas; e superior a 120 quilômetros para o transporte de passageiros, que também será explorado por toda a malha da empresa.


