Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), cujos resultados foram divulgados ontem, mostra que as ferrovias do Paraná estão entre as mais criticadas por usuários do modal. A entidade coletou opiniões de clientes dos 13 corredores ferroviários mais importantes do Brasil. Dois deles atravessam o território paranaense.
O corredor Paranaguá - que liga Maringá, Londrina e Guarapuava ao Porto de Paranaguá - foi o quinto em reclamações do alto custo de frete (apontado como entrave por 53,8% dos entrevistados) e o segundo em queixas sobre a baixa disponibilidade de vagões específicos aos produtos (também 53,8%).
Já o corredor São Francisco do Sul - que parte de Maringá e Londrina até o litoral catarinense - foi o primeiro nas reclamações relativas ao nível de segurança (55,6%) e às condições de armazenagem das cargas (44,4%), e o segundo em críticas à confiabilidade dos prazos (dificuldade mencionada por 55,6% dos entrevistados) dentre os trechos pesquisados.
Os dois corredores são operados pela América Latina Logística (ALL) e, conforme a pesquisa, os entraves mencionados estariam prejudicando a empresa. Segundo a CNT, 46,2% dos usuários do corredor Paranaguá e 44,4% dos que usam o São Francisco do Sul consideram que a imagem da concessionária piorou nos últimos anos, desempenho inferior apenas ao das empresas que operam o corredor São Luís (50%), entre Pará, Tocantins e Maranhão.
A pesquisa da CNT teve o objetivo de analisar a situação do setor ferroviário no Brasil nos últimos anos e os principais problemas a serem solucionados. A Confederação descreve que as concessões assinadas na década de 1990 melhoraram substancialmente a condição da rede ferroviária brasileira. Os investimentos no modal em todo o País aumentaram de R$ 574 milhões entre 1996 e 97, quando ocorreram as primeiras concessões, para mais de R$ 3 bilhões somente no ano passado.
Entretanto, o aproveitamento do modal continua baixo. Segundo a CNT, há 3,5 quilômetros de ferrovias para cada mil quilômetros quadrados de área no território brasileiro, índice inferior ao de muitos países. Na Argentina, por exemplo, a proporção é de 13,3 quilômetros.
A Confederação pondera que seria necessário investir urgentemente mais de R$ 30 bilhões para resolver os gargalos logísticos e operacionais do modal, em 36 projetos diferentes. Entre esses, a CNT cita quatro no Paraná: a construção das variantes ferroviárias de Guarapuava e de Cascavel-Foz do Iguaçu, o contorno ferroviário de Curitiba e a duplicação do ramo entre a capital paranaense e Paranaguá.

Imagem ilustrativa da imagem Ferrovias do PR estão entre as mais criticadas
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