O consórcio que venceu a concorrência para operar a Ferrovia Sul Atlântico (ex-Rede Ferroviária Federal) está decidido a ampliar a participação da ferrovia no transporte de contêineres. Atualmente 60% do transporte ferroviário, avaliado em 14 milhões de toneladas, é oriundo da área agrícola e agora a empresa quer conquistar o setor de carga geral, aproveitando a intensificação dos negócios no Mercosul, utilizando para isso o corredor ferroviário já existente entre Buenos Aires e São Paulo.
Para organizar essa participação a Ferrovia Atlântico Sul reuniu ontem em Curitiba representantes das ferrovias da Argentina, Paraguai e Uruguai, associadas a Alaf - Asociacion Latinoamericana de Ferrocarriles. O objetivo é ajustar o intercâmbio de cargas na região de fronteira com as demais ferrovias que operam no Mercosul. Ou seja, o transporte e os custos seriam rateados entre elas, aproveitando a estrutura de cada uma.
Segundo o presidente da Ferrovia Sul Atlântico, José Paulo de Oliveira Alves, esse intercâmbio já existe em Livramento, com as ferrovias uruguaias, e em Uruguaiana, com as ferrovias Argentinas, mas o volume ainda é inexpressivo. A expectativa é ampliar esse transporte para cerca de 1 mihão de toneladas de contêineres nos próximos dois anos.
Para mudar o perfil do transporte ferroviário e modernizar o sistema, a Sul Atlântico pretende investir US$ 200 milhões nos próximos cinco anos na aquisição de equipamentos. Desde março, quando a ferrovia foi privatizada, já estão sendo investidos US$ 55 milhões na melhoria das condições dos trilhos e na compra de material rodante. Segundo Alves, os serviços de reparo dos trilhos estão concentrados no Rio Grande do Sul e a compra de equipamentos está sendo destinada para o Paraná e Santa Catarina. A Ferrovia Sul Atlântico tem uma extensão de 6.500 quilômetros entre São Paulo ao Rio Grande do Sul e fatura US$ 200 milhões.
A empresa pretende ainda ampliar a participação no transporte de produtos agrícolas de exportação. Atualmente esse volume corresponde a 50% da movimentação da rede e agora a empresa está diversificando as atividades, sem descuidar do transporte agrícola, que ele acredita ser o grande filão da região. Segundo Alves, o transporte de produtos via rodovia em grandes distâncias é inviável. Ele ressaltou que só no Brasil um caminhão percorre 2.500 quilômetros para transportar a mercadoria. Ele citou como exemplo o transporte de soja do Mato Grosso até Paranaguá.
Alves salienta que o potencial de crescimento da ferrovia é grande tanto no Mercosul como entre os Estados do Sul. Ele lembrou que o transporte de carga geral de São Paulo ao Rio Grande do Sul e de arroz e produtos petroquímicos do Sul para SP deverá ser incrementado em detrimento do transporte rodoviário, que onera os custos do frete em cerca de 10% em relação ao transporte ferroviário, comparou.

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