Ferrovia - Norte do PR pode ter trem de passageiros
Cláudia Lopes
De Londrina
Londrina e Maringá podem ter trem de passageiros em um ano. Um estudo que está sendo feito pelo BNDES, em conjunto com a Coppea (empresa da Universidade Federal do Rio de Janeiro), indica demanda de passageiros interessados neste meio de transporte na região. Dos 9.792 entrevistados em pesquisa recente, 38% responderam que utilizariam o trem semanalmente. A população existente ao longo do trecho, que tem 119 quilômetros, é de 1.121.325 pessoas.
Há dois anos, o BNDES decidiu avaliar a possibilidade de otimizar trechos ferroviários que têm grande ociosidade no transporte de cargas. Dos 64 trechos analisados em todo o País, nove foram escolhidos pelo banco como sendo de maior potencial de exploração para transporte de passageiros. Um deles foi o trecho Londrina-Maringá. Segundo as primeiras conclusões da análise de viabilidade econômica que está em andamento, os trechos com melhores retornos financeiros são o Londrina-Maringá e o Itatiaia-Volta Redonda, no Rio de Janeiro.
Segundo o BNDES, a passagem de trem deve custar o mesmo ou até 10% mais que a de ônibus. Os estudos devem ser concluídos em dois anos. Depois disso, partiremos para uma etapa de convencimento de possíveis investidores da iniciativa privada, afirmou um dos técnicos do banco, que falou com a Folha ontem, por telefone, do Rio de Janeiro. Ele preferiu não se identificar. O governo do Estado pode ter a concessão do serviço mas, neste caso, não poderia obter financiamento do banco.
Uma das possibilidades levantadas pelo BNDES é que os donos de empresas de ônibus se interessem em investir no negócio, integrando o trem ao serviço que já operam. O investimento previsto nos nove trechos brasileiros são da ordem de US$ 350 milhões. Os fabricantes de trens apostam em encomendas de US$ 100 milhões, segundo o BNDES. O preço de cada trem é US$ 1,5 milhão.
O trecho paranaense compreende os municípios de Londrina, Cambé, Rolândia, Arapongas, Apucarana, Cambira, Jandaia do Sul, Mandaguari, Marialva, Sarandi e Maringá. O levantamento feito pela Coppea indicou que o estado de conservação dos dormentes da linha Londrina-Maringá é bom.





