Ferropar retoma transporte da safra
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segunda-feira, 11 de abril de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Após uma semana de interdição, os trens da Ferropar voltaram a transportar a safra agrícola da região Oeste do Paraná rumo ao Porto de Paranaguá. A retomada das atividades ocorreu no último sábado em função de uma liminar obtida junto ao Juizo da 3 Vara Cível da Comarca de Cascavel, cuja decisão saiu na noite de sexta-feira. A ferrovia estava interditada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), por descumprir a legislação ambiental.
Nesse período, a ferrovia deixou de transportar 450 toneladas de grãos por dia para o porto. A interdição provocou a irritação dos produtores do Oeste do Estado que chegaram a temer um aumento no preço do frete rodoviário, diante da iminência do aumento da demanda por esse tipo de transporte.
O presidente do IAP, Rasca Rodrigues, disse que o órgão irá recorrer da decisão judicial assim que for citado judicialmente. Rodrigues estranhou o comportamento do promotor e oficial de justiça que retiraram o lacre de interdição da ferrovia, que havia sido colocado pelo IAP.
A Ferropar, que manifestou-se pela primeira vez ontem, também alegou surpresa com a interdição. Em nota oficial, alegou que procurou os órgãos estaduais para um entendimento, mas não foi bem sucedida, restando recorrer à Justiça. Disse ainda a nota, que a responsabilidade pelo cumprimento da legislação ambiental é da Ferroeste, empresa de economia mista, que construiu a ferrovia e repassou o direito de uso para a iniciativa privada.
A Ferropar informou que em 1999, a Ferroeste assinou um Termo de Compromisso com a subconcessionária e com o Ministério Público, no qual se comprometia a realizar ''algumas obras em cumprimento à legislação ambiental''. A Ferropar alegou ainda, que o não cumprimento da legislação ambiental foi decorrente do afastamento da atual diretoria da empresa por decisão judicial, em função de problemas herdados da Ferroeste.
De acordo com o diretor técnico da Ferroeste, Leopoldo de Castro Campos, a concessionária executou as obras de sua responsabilidade, como drenagem e proteção dos taludes. Mas cabia à Ferropar a execução do plano de controle ambiental, para evitar o agravamento da erosão para minimizar os impactos da operação dos trens, ''que acabou acontecendo'', afirmou.


