Curitiba - O presidente da Ferropar, Anibal Batista Falcão, disse que está disposto a integrar a equipe de usuários e governo para ''pensar'' um novo modelo de gestão para a ferrovia. Ele assumiu o cargo em agosto do ano passado e confessou que vem administrando uma série de dificuldades criadas pelo contrato de privatização assinado em 1996, que na sua opinão está ''inteiro errado''.
Por conta dessas dificuldades a Ferropar vem trabalhando com 30% de sua capacidade. A meta era estar transportando 4 milhões de toneladas de grãos da região Oeste do Estado, mas no ano passado transportou apenas 1,6 milhão de toneladas. A dificuldade de atingir a meta reduziu a receita da empresa, daí a sua dificuldade em honrar os contratos firmados.
Falcão defende, porém, uma reformulação a partir do já existe que é a integração entre Ferropar e ALL e não um desmonte de tudo o que já foi construído. Segundo ele, desde que assumiu o cargo tratou de melhorar as relações entre as duas ferrovias, que admite ''não eram boas''. Ele se referiu à divergências sobre uso e pagamento do direito de passagem, que assegurou ''não existem mais''.
O presidente da Ferropar admitiu que a enpresa foi prejudicada por um contrato ''inexequível''. Ele disse que a companhia perde competividade a partir do trecho Guarapuava a Ponta Grossa, o que reduz a capacidade de escoamento da produção e contribuiu para diminuir também a receita da empresa. Além disso, assumiu uma estrutura sem qualquer patrimônio o que dificultou a contratação de linhas de financiamento para sua expansão. Falcão também criticou o fato da Ferropar ter iniciado suas operações com equipamentos arrendados e atualmente está questionando na Justiça o valor superfaturado desses equipamentos.
Segundo Falcão, os sócios que hoje compõem o consórcio (Gemon Geral de Engenharia e Montagem, Fao Empreendimentos e Participações, Pound S/A e América Latina Logística) que administra a Ferropar estão arrependidos de assinar o contrato de privatização. Ele destacou que a viabilidade econômica da empresa só virá com investimentos. Com o contrato atual ''é impossível'', afirmou. Falcão gostaria de saber quem são os agentes financeiros, qual a entidade de classe que se compromete a investir recursos para um aporte de capital necessário na empresa.

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